A verdade sobre o futuro dos livros – Texto de Manoel Manteigas de Oliveira

16/11/2015 at 2:23 PM Deixe um comentário

O livro certamente é o produto mais emblemático da indústria gráfica. Talvez por causa da profunda transformação que o advento do livro impresso provocou nos destinos da humanidade, algo comparável com o controle do fogo e a invenção da roda.

Se um dia o livro impresso acabar, será um fato histórico muito mais importante do que o fim das notas fiscais impressas, ou das listas telefônicas ou dos guias de rua (embora muitos vão observar que listas e guias também podem ser considerados livros…). Por isso, os debates em torno do futuro do livro acabam emocionando os envolvidos.

E é com alguma emoção que uma matéria publicada em 22 de setembro no New York Times tem sido interpretada e comentada em todo o mundo. Segundo a matéria de Alexandra Alter, as vendas de e-books caíram 10,5% nos EUA nos primeiros cinco meses de 2015. A fonte dos dados é a Association of American Publishers (APP). Trata-se de uma queda contínua, o que pode indicar uma tendência e não um fato isolado. Além disso, mesmo em anos anteriores o crescimento das vendas dos e-books já estava aquém das expectativas ou mesmo mostrava declínio em diferentes mercados. A jornalista conclui que a queda nas vendas de livros digitais poderia indicar que parte dos leitores de livros eletrônicos estaria voltando suas preferências novamente para o impresso ou, pelo menos, se tornando leitores híbridos.

Por sua vez Michael Cader, fundador da Publishers Lunch – newsletter sobre o mercado editorial norte-americano – publicou uma aprofundada crítica às análises do NYT, mostrando que as vendas de livros impressos também teriam caído no mesmo período e que, portanto, seria prematuro se falar de uma reversão de tendências. O artigo de Cader pode ser encontrado em português em www.publishnews.com.br

Em artigo anterior ao do NYT João Varella afirma, também com base em dados estatísticos, que “os livros digitais dão sinais de perda de fôlego nos países desenvolvidos e ainda não têm relevância nos negócios das editoras brasileiras” (www.istoedinheiro.com.br). Em janeiro de 2015, o Financial Times publicou a informação de que as vendas de livros impressos contrariaram as expectativas de mercado  e subiram em 2014 nas principais livrarias dos EUA, Reino Unido e Austrália. Só para citar mais uma notícia interessante, também do FT no início de novembro – a Amazon, que domina a venda de e-books, inaugurou sua primeira loja de livros físicos. A mesma matéria fala de uma dramática desaceleração no crescimento dos e-books.

 

Quem fizer uma pesquisa na internet vai encontrar muitos artigos sobre o tema. Trata-se então de se examinar os números com muito cuidado, observando a competência das fontes e evitando-se interpretações apaixonadas.

De qualquer modo, o que podemos afirmar com certeza é que o apocalipse dos livros impressos de fato não aconteceu. Independentemente de quais estatísticas adotamos e como as interpretamos, o fato é que o livro impresso continua firme, 22 anos após o aparecimento do primeiro e-book e 18 anos após o advento do primeiro e-reader.

Aliás, convêm relembrarmos a diferença entre esses dois termos. E-book (livro eletrônico) é um arquivo digital preparado para ser lido em telas – seja de computadores, tablets, smartphones ou de… e-readers! Estes são dispositivos especialmente projetados para leitura de livros eletrônicos. A diferença entre eles e os tablets é que a tela do e-reader é mais adequada para a leitura, tornando essa experiência bem mais próxima da leitura em papel, mais agradável e menos cansativa. Outra diferença muito importante é que o e-reader serve apenas para ler, enquanto o tablet permite navegar na internet, fotografar, filmar e mesmo realizar algumas tarefas normalmente feitas em computadores.  Na análise dos dados de mercado é importante considerar essa distinção.

Muitos têm ficado espantados com essa sobrevivência do livro impresso porque acreditavam que a digitalização iria fazer, no mercado editorial, a mesma revolução que provocou um terremoto no mercado fonográfico.

Volto a defender neste espaço a tese de que o futuro dos livros será compartilhado entre o eletrônico e o impresso. Eu me confesso um apaixonado pela mídia impressa, portanto minha opinião também deve ser vista com cuidado, mas até aqui os fatos indicam essa direção. Avalio que a grande revolução tecnológica que alavancaria o negócio dos livros eletrônicos já aconteceu e o apocalipse dos livros impressos não veio. Nem mesmo no primeiro mundo, muito pelo contrário. O que mais pode aparecer que mude esse cenário? Um novo dispositivo de leitura muito melhor que os atuais? Melhor em quê? Tablets muito mais baratos? Smartphones com as telas tão maiores que tornem a leitura nelas um hábito? Telas flexíveis? Não acho que tais avanços mudariam radicalmente os hábitos dos leitores.

Continuo acreditando que a grande ameaça ao mercado de livros no Brasil –  sejam os eletrônicos ou os físicos – é o baixo nível educacional da nossa população que lê muito pouco.

Manoel Manteigas de Oliveira

Diretor da Escola SENAI Theobaldo De Nigris e da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica

Diretor técnico da ABTG

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