Vencedoras por Opção – Epílogo. Texto EXCELENTE de Jim Collins (Fonte: Livro “Vencedoras por Opção” – HSM Editora)

26/04/2012 at 7:58 AM Deixe um comentário

Sentimos que há uma doença perigosa que vem infectando a cultura moderna e erodindo a esperança: uma visão cada vez mais dominante de que a condição de grandeza se deve mais às circunstâncias, até mesmo à sorte, do que ao trabalho e à disciplina – ou seja, o que nos acontece é mais importante do que aquilo que construímos. Em jogos de azar, como a loteria ou a roleta, essa visão nos parece plausível. No entanto, tomada como filosofia e aplicada indiscriminadamente ao empenho humano, é uma perspectiva de vida bastante debilitante, que não podemos nos imaginar transmitindo às novas gerações. Será que realmente acreditamos que nossas ações contam muito pouco e que aqueles que constroem algo efetivamente grande são apenas pessoas de sorte? Acreditamos mesmo que somos prisioneiros das circunstâncias? Queremos realmente construir uma sociedade e uma cultura que nos incitam a acreditar que não somos responsáveis por nossas escolhas e que não devemos ser responsabilizados pelo nosso desempenho?

As evidências que colocamos em nossa pesquisa colocam-se firmemente contra essa visão. Esse trabalho começou com a premissa de que parte substancial de tudo o que enfrentamos em nosso dia a dia está fora de nosso controle, que a vida é incerta, e o futuro, desconhecido, e que a sorte tem um papel na vida de todos nós, seja ela boa ou má. Mas, se uma empresa se torna grande e mesmo em condições semelhantes e com sorte comparável outra não consegue, a causa principal dessa diferença de desempenho não pode ser, simplesmente, uma questão de circunstância ou de sorte. Na verdade, se existe uma mensagem geral que pode ser extraída de mais de 6 mil anos de história corporativa que nossas pesquisas abrangem – estudos que empregam um método de comparação entre grandes empresas e boas empresas em circunstâncias semelhantes -, essa mensagem é: a grandeza não é, em essência, uma questão de circunstância; a grandeza é, acima de tudo, uma questão de escolha consciente e disciplina. Os fatores que determinam se uma empresa vai ou não se tornar realmente grande, mesmo em um mundo caótico e incerto, estão, em larga medida, nas mãos de seus profissionais. E não se trata do que acontece a esses profissionais: trata-se sim, daquilo que criam, daquilo que fazem e da competência com que o fazem.

O livro Vencedoras por Opção e os três outros livros de Jim Collins que o precederam – Feitas para Durar, Empresas feitas para Vencer e Como as gigantes caem – são olhares em direção ao que é necessário para construir uma organização grande e duradoura. Enquanto conduzíamos a pesquisa sobre as empresas 10X (empresas que superaram em mais de 10 vezes o desempenho médio do setor), testamos simultaneamente os conceitos-chave dos trabalhos anteriores, para verificar se algum deles teria deixado de ser aplicável em ambientes altamente incertos e caóticos. Os conceitos anteriores se mantiveram, e temos confiança de que os conceitos presentes em todos os quatro estudos, se postos em prática, aumentam as probabilidades de construir uma grande empresa.

Mas eles garantem o sucesso da empreitada? Não, não garantem. Boas pesquisas ampliam o entendimento, mas nunca oferecem respostas absolutas; temos sempre que aprender mais e mais. A vida não oferece garantias. É sempre possível que situações-limite e forças incontornáveis – como doenças, acidentes, danos cerebrais, terremotos, tsunamis, calamidades financeiras, guerras civis ou qualquer um entre mil acontecimentos possíveis – venham a subverter nossos mais sólidos e disciplinados esforços. Ainda assim, é preciso agir.

Quando chega o momento crucial e estamos com medo, exaustos ou somos postos à prova, que escolhas fazemos? Abandonamos nossos valores? Desistimos? Aceitamos um desempenho mediano porque é o que praticamente todo mundo aceita? Capitulamos diante da pressão do momento? Abrimos mão de nossos sonhos quando somos atingidos por fatos brutais? Os maiores líderes que estudamos ao longo de nossa pesquisa consideravam os seus valores tão importantes quanto a vitória, o propósito tão importante quanto o lucro e ser útil tão importante quanto atingir o sucesso. Suas motivações e seus padrões eram essencialmente internos e brotavam de algum lugar bem profundo do ser.

Não somos prisioneiros das circunstâncias. Não somos reféns da sorte que temos ou da injustiça inerente à vida. Não somos prisioneiros de reveses destruidores, de erros autoinfligidos ou de nossos sucessos passados. Não somos prisioneiros do tempo em que vivemos, nem do número de horas do dia ou mesmo do número de horas que acumulamos em nossa curtíssima vida. No final, tudo o que conseguimos controlar é uma minúscula partícula de tudo aquilo que nos acontece.

Ainda assim, somos livres para escolher – e somos livres para ser vencedores por opção.

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