“You don’t know what you’re talking about!” – Texto de Adriano Silva (Fonte: Manualdeingenuidades.com.br)

09/03/2012 at 10:01 AM Deixe um comentário

“You don’t know what you’re doing!”

Fiz recentemente um comentário, à luz da leitura da biografia de Steve Jobs, como um número enorme de empresas estão descuidando dos seus produtos, da sua principal entrega. Me surpreende e choca o modo como estão olhando para outras coisas e esquecendo da sua raison d’être, daquilo que lhes fez nascer, crescer e se tornar quem são – prover produtos e serviços diferenciados e de qualidade superior a seus consumidores. Essa era uma das obsessões de Jobs – foco total em entregar experiências ímpares aos clientes. Ele não fazia concessões nessa trilha. Esse era um ponto inegociável. E ele não tirava os olhos desse ponto. Não aceitava distrações como outras coisas – nem com tratar bem as pessoas ou ser um pai ou um cidadão bacana. E essa é, ao mesmo tempo, uma das maiores omissões em massa da história dos negócios – grade parte das empresas, nos dias que correm, olham para o bolso e para a Bolsa e descuidam de continuar entregando ao mercado produtos capazes de surpreender e encantar os clientes. Dão de barato que os clientes vão estar ali para sempre, e que continuarão fiéis mesmo com essa infidelidade, ou deslealdade, ou negligência, do lado das empresa. Dão de barato que podem virar de costas ao mercado e aos clientes que continuarão faturando e continuarão tendo marcas relevantes. Não terão. E correm o risco de pagar caro – até mesmo com a vida – por isso. (Às vezes eu me pergunto: caramba, gente, ordenhar a vaca leiteira virou regra? Ninguém mais investe, reinveste, rega, aposta, capricha, faz com esmero? O mundo vai acabar amanhã?)

Outra sentença que era comum no repertório de Steve Jobs, e que é bem revelada no livro de Walter Isaacson, e que me causou um insight, é: “você não sabe o que está fazendo”. Ele usava muito essa frase para sublinhar, em funcionários cujo desempenho ele considerava pífio, ou na estratégia e nos produtos e nos profissionais da concorrência, pessoas ruins, que erravam o alvo – ou não faziam a menor ideia de onde estava o alvo -, que olhavam e não enxergavam, que se moviam mas não saíam do lugar, que falavam mas não acrescentavam nada, que se andavam em círculos – ou para trás – sem avançar, perdendo seu tempo e o dos outros em projetos burros e inúteis. (Quantas pessoas assim você conhece? Quantas delas sentam do seu lado, dividem o escritório e o dia a dia com você? Quantos desses perfis trabalham para você hoje? Quantos já foram, ou são, seus chefes?)

É curioso que o jeito que Jobs achou de expressar o seu escárnio por esse tipo de gente tenha sido a imagem de que eram pessoas sem noção do que faziam ou deveriam fazer, que não dominavam as atividades que deveriam desempenhar, que estavam perdidas ou olhando para o lado errado, que estavam paradas ou caminhando para trás – pessoas, enfim, que não sabiam o que estavam fazendo. Ele poderia ter expressado seu desprezo, e sua raiva, de várias outras formas. (E provavelmente o fez, em diversas ocasiões. Ele também adorava rotular interlocutores e terceiros de “idiotas”.) Mas é notável que tenha escolhido utilizar tanto aquele conceito – o das pessoas “que não sabiam o que estavam dizendo” – uma variante daquela mesma ideia. Fica claro o que Jobs detestava: gente sem brilho, sem explosão, sem criatividade, sem visão. Gente que está apenas nadando com o resto do cardume, seguindo a manada, de cabeça baixa, rabo entre as pernas, de ouvidos deliberadamente fechados e olhos voluntariamente vendados, sem nem saber direito para onde estão indo. Jobs desgostava de pessoas assim especialmente quando ocupavam posições estratégicas ou de liderança, na sua empresa ou no seu segmento em geral.

Fica claro, também, que o contrário disso era precisamente o que Jobs mais valorizava: as pessoas que sabem o que estão fazendo, que sabem o que estão dizendo, que entendem do que devem entender, que estão no controle das coisas que foram confiadas a elas, que estão uma curva à frente, que agem antes, que enxergam mais longe que os outros, que fazem melhor, que fazem do jeito certo. (Afinal, todo apupo contém em si um elogio ao seu contrário.) Jobs, sua biografia nos conta, era duro e espinhudo e afiado. Mas gostava de ser contestado, desafiado com substância, com lógica, com brilho. Respeitava as pessoas que lhe faziam barragem, com propriedade, em momentos apropriados. E marcava um xis na testa dos yesmen, dos puxassacos, dos que tinham medo dele. Ele só baixava a guarda, às vezes, para quem mantinha a guarda alta diante dele. Só respeitava quem se fazia respeitar. Outra coisa que não é comum de encontrar entre chefes por aí, certo?

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