ALCOOLISMO: VAMOS FALAR DESTE ASSUNTO? – Texto de Flávio Botana

09/03/2012 at 2:37 PM 5 comentários

Confesso que tenho andado meio assustado com o número de casos onde “coisas ruins”, como acidentes, quedas, brigas, etc. estão associadas ao consumo excessivo de álcool, e estou mais assustado ainda com a apologia ao uso excessivo do álcool em conversas, redes sociais e reuniões, principalmente entre os jovens.

Não quero ser “a freirinha do bordel” mas acho que algumas coisas devem ser faladas, principalmente aos jovens, nos momentos onde eles estão sóbrios.

Os efeitos imediatos do álcool, isto é, aqueles que ocorrem “na hora” em que a pessoas ultrapassa o seu limite são: perda dos reflexos, falta de equilíbrio, agressividade, tristeza, coragem, inconsequência, sonolência, comprometimento da dicção, euforia, vontade de externar os sentimentos, vontade de falar.

E, além disso, após uso em excesso, o usuário pode não se lembrar do que aconteceu, ou lembrar como se “tivesse sonhado”. Além da perda de consciência o indivíduo pode chegar ao coma alcoólico.

O alcoolismo é uma doença reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e, como a ferrugem nos metais, leva à uma degeneração do organismo lenta e progressiva até a morte. O processo de doença se manifesta através da hipertensão arterial, miocardiopatias, hepatite, cirrose, gastrite, impotência sexual, dores musculares, diarréia, pancreatite, deficiência nutricional decorrentes da falta de vitaminas e minerais como o acido fólico e a vitamina B12, câncer de boca e de esôfago, alterações cerebrais e neurológicas.

O abuso de álcool determina mortalidade precoce. Na Suécia, perto de 25% dos óbitos de menores de 50 anos foram atribuídos ao álcool. Além disso, beber muito provoca danos cerebrais irreparáveis e destrói a memória.

Eu acho muito bom que as pessoas saiam para se reunir, conversar, dançar e até beber. O que acho uma pena é que muitas vezes estes momentos bons são desperdiçados pelos excessos. O legal é a convivência, a diversão e o “estar juntos”. Não acho legal estar caído no chão, ser carregado por alguém, correr riscos dirigindo ou simplesmente ser alvo de gozações dos amigos por permanecer num estado deplorável diante deles.

Acho que devemos aproveitar o que a vida nos dá de melhor que é a convivência com as pessoas que a gente gosta. Isto é muito mais divertido que um porre hoje e uma ressaca amanhã.

Vamos comemorar os finais de semana como os dias onde iremos conviver e nos divertir com os amigos e vamos lembrar disso na 2ª Feira. A vida é boa e precisa ser vivida. Com consciência.

Adoraria que um monte de gente não concordasse comigo para termos uma boa discussão sobre este assunto. Faça seu comentário.

(Algumas informações apresentadas foram tiradas do blog cabeçadepeixe.wordpress.com)

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Entry filed under: Debates, Geral.

“You don’t know what you’re talking about!” – Texto de Adriano Silva (Fonte: Manualdeingenuidades.com.br) Os desafios da mulher no mercado de trabalho – Entrevista de Fernando Elias José (Fonte: www.hsm.com.br)

5 Comentários Add your own

  • 1. J.C.Cardoso  |  09/03/2012 às 4:37 PM

    Ótimo, Botana, você tocar no assunto, porque só se fala do cigarro… cigarro… cigarro… como o vilão quase criminoso e o álcool ninguém fala nada (e olha que bebo e não fumo).
    Na verdade, as pessoas nem veem a bebida como droga. Tenho uma colega de trabalho (que não bebe) que, outro dia num bate-papo aqui no jornal falou que “ah! Mas a bebida não é droga e o fumo, é”. Na verdade, a bebida é tão droga (ou mais até) quanto o fumo (só não tem alcaloide, como a nicotina, isso é verdade), apesar de seu resíduo não ser aparente a curto prazo, como a fumaça: é o marido que bate na mulher, são atropelamentos (seja o embriagado o pedestre ou o motorista), é a falta de rendimento no trabalho e sexual… enfim… situações vexatórias e humilhantes pelas quais, certamente, um fumante não passaria.
    Quanto a beber e dirigir, sou 100% a favor da Lei Seca (com tolerância zero, pois falo de cadeira, experiência própria em 1991), mas não acho que a propaganda deva ser banida (muito embora ache o “Aprecie com moderação” extremamente cretino, até por conta do “aprecie” no lugar do “beba”): deveria vir uma foto de um carro batido, um fígado destruído e um bêbado caído, bem ostensivamente para mostrar os malefícios.
    Entretanto, não deveria, contudo, ser proibida, primeiro porque é um produto de venda (relativamente) livre, paga os devidos impostos (eu muito bem pagos!), o leitor/espectador tem o direito à informação e, falando como jornalista, cada propaganda que é proibida (cigarros, búrgeres, bebidas, alimentos gordurosos, sal, docinhos, e até – pasmem! – as ingênuas mamadeiras e chupetas) é menos uma fonte de renda para os veículos, o que os deixa cada vez mais vulneráveis à propaganda governamental, deixando a imparcialidade de suas linhas editoriais cada vez mais comprometidas.
    Quanto à lei que está para entrar aí em SP (proibindo o consumo em público, como em algumas cidades dos EUA), eu, entretanto, também discordo: a meu ver, só estimulará a hipocrisia (todo mundo sabe que dentro da sacola na mão tem uma garrafa, muito embora ela não possa aparecer) e, a meu ver não protege a criança e o adolescente. Primeiro porque, em teses, eles já são protegidos por lei federal: “é crime entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, cigarros ou bebidas alcoólicas a menores de 18 anos”. Segundo porque, eles devem saber que o produto existe, mas que é de venda e uso para adultos. Como dirigir e jogar na loteria.
    Segundo porque se quem bebe e faz arruaça ou dirige imprudentemente, é ele que deve ser punido (pela arruaça e pela direção alcoolizada) e não todos (e alguns, que bem) saber disfrutar do produto.
    Seria hipócrita recolher as cervejas das mesinhas de bar na calçada, para o jovem ver um “mundo de Polianna” e o mesmo ver o pai bebendo escondido ou caído em casa ou ainda dando porrada na mãe.
    A terceira questão da proibição da bebida em público me remete à uma máxima de Benjamin Franklin que diz que “Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança”.
    Enfim, a Lei Seca (1919-1933) nos EUA começou assim, lentamente, com restrições de horários e locais para beber e terminou no que terminou. Tanto que, para se combater o crime organizado, só mesmo uma solução foi capaz: liberar a venda dos produtos outra vez, gerando empregos para a sociedade e tributos para o Estado.
    Aliás, a proibição de qualquer coisa é justamente tudo o que o crime organizado quer.
    Enfim: a bebida destrói muito, mas ainda acredito mais no poder do convencimento do que na força da coerção. E isso, acredito que este seu blog esteja fazendo.
    Enfim, que valha o bom-senso do que uma opressão orwelliana (remember “1984”?)

    Resposta
  • 2. J.C.Cardoso  |  09/03/2012 às 4:41 PM

    Como o primeiro texto saiu com uns erros de revisão, segue outra vez.
    Por favor, faça valer este:
    Ótimo, Botana, você tocar no assunto, porque só se fala do cigarro… cigarro… cigarro… como o vilão quase criminoso e o álcool ninguém fala nada (e olha que bebo e não fumo).
    Na verdade, as pessoas nem veem a bebida como droga. Tenho uma colega de trabalho (que não bebe) que, outro dia num bate-papo aqui no jornal falou que “ah! Mas a bebida não é droga e o fumo, é”. Na verdade, a bebida é tão droga (ou mais até) quanto o fumo (só não tem alcaloide, como a nicotina, isso é verdade), apesar de seu resíduo não ser aparente a curto prazo, como a fumaça: é o marido que bate na mulher, são atropelamentos (seja o embriagado o pedestre ou o motorista), é a falta de rendimento no trabalho e sexual… enfim… situações vexatórias e humilhantes pelas quais, certamente, um fumante não passaria.
    Quanto a beber e dirigir, sou 100% a favor da Lei Seca (com tolerância zero, pois falo de cadeira, experiência própria em 1991), mas não acho que a propaganda deva ser banida (muito embora ache o “Aprecie com moderação” extremamente cretino, até por conta do “aprecie” no lugar do “beba”): deveria vir uma foto de um carro batido, um fígado destruído e um bêbado caído, bem ostensivamente para mostrar os malefícios.
    Entretanto, não deveria, contudo, ser proibida, primeiro porque é um produto de venda (relativamente) livre, paga os devidos impostos (eu muito bem pagos!), o leitor/espectador tem o direito à informação e, falando como jornalista, cada propaganda que é proibida (cigarros, búrgeres, bebidas, alimentos gordurosos, sal, docinhos, e até – pasmem! – as ingênuas mamadeiras e chupetas) é menos uma fonte de renda para os veículos, o que os deixa cada vez mais vulneráveis à propaganda governamental, deixando a imparcialidade de suas linhas editoriais cada vez mais comprometidas.
    Quanto à lei que está para entrar aí em SP (proibindo o consumo em público, como em algumas cidades dos EUA), eu, entretanto, também discordo: a meu ver, só estimulará a hipocrisia (todo mundo sabe que dentro da sacola na mão tem uma garrafa, muito embora ela não possa aparecer) e, a meu ver não protege a criança e o adolescente. Primeiro porque, em teses, eles já são protegidos por lei federal: “é crime entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, cigarros ou bebidas alcoólicas a menores de 18 anos”. Segundo porque, eles devem saber que o produto existe, mas que é de venda e uso para adultos. Como dirigir e jogar na loteria.
    Além disso, proibir porque se quem bebe e faz arruaça ou dirige imprudentemente, é ele que deve ser punido (pela arruaça e pela direção alcoolizada) e não todos que (e alguns, bem) sabem disfrutar do produto.
    Seria hipócrita recolher as cervejas das mesinhas de bar na calçada, para o jovem ver um “mundo de Polianna” e o mesmo ver o pai bebendo escondido ou caído em casa ou ainda dando porrada na mãe.
    A terceira questão da proibição da bebida em público me remete à uma máxima de Benjamin Franklin que diz que “Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança”.
    A Lei Seca (1919-1933) nos EUA começou assim, lentamente, com restrições de horários e locais para beber e terminou no que terminou. Tanto que, para se combater o crime organizado, só mesmo uma solução foi capaz: liberar a venda dos produtos outra vez, gerando empregos para a sociedade e tributos para o Estado.
    Aliás, a proibição de qualquer coisa é justamente tudo o que o crime organizado quer.
    Enfim: a bebida destrói muito, mas ainda acredito mais no poder do convencimento do que na força da coerção. E isso, acredito que este seu blog esteja fazendo.
    Ou seja: que valha o bom-senso do que uma opressão orwelliana (remember “1984”?)

    Resposta
  • 3. aline valli  |  09/03/2012 às 6:10 PM

    flávio,

    difícil não concordar com você.
    é uma doença grave, ainda tratada com tabu e que acaba com famílias bacanas diariamente. uma pena.
    legal ler o seu o texto. obrigada!

    abraço,
    aline

    Resposta
  • 4. André Liberato  |  10/03/2012 às 8:15 PM

    olha só grande Mestre Botana, o grande problema não é o “vamos tomar uma”? este é o problema… não “tomamos apenas uma” na mairia das vezes bebe-se várias “uma” sem falar na famosa “saideira”. nestes dias atrás, em plana 2a feira passei um daqueles dias “bravos” e convidei 2 amigos para “tomarmos uma”. sabe o que me disseram?… Como assim? Hoje é 2a feira! parece até alcóolatra. que “pau dágua”. Fiquei indignado! não queria na verdade compartilhar uma mesa com bebidas alcólicas. na grande verdade queria apenas relaxar de um dia EXTREMAMENTE desgastante. Podeira ser suco de laranja, um refrigerante ou simplesmente um como com água (se possível com gelo, rsrsrs).
    é isto que está errado! O conceito e a associação de que quando precisamos relaxar é que está errado! Precisamos reverter este conceito. Relaxar e passar um tempo com os amigos, é poder passar momentos de discontrção e não regados a bebidas ou comidas. Acredito que nos dias de hoje necessitamos muito mais de convívio do que artifícios e “fugas” de nossos problemas. e repito o que um dia aprendi com uma grande sábie em minha vida… não perca seu tempo bebendo! Invista seu tempo “aprendendo a conversar” com seua amigos.
    Fica a dica!

    Resposta
  • 5. J.C.Cardoso  |  12/03/2012 às 1:28 PM

    Vejam isso, n’O Globo de hoje.
    Que bom. É só a Anvisa não proibir, aliás, tarefa na qual ela é mestre!
    http://oglobo.globo.com/saude/remedio-para-ansiedade-pode-ser-usado-contra-alcoolismo-4285979

    Resposta

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