A queda dos gigantes e a metáfora do sapo – Blog do Marcelão (Fonte: www.hsm.com.br)

27/02/2012 at 10:49 AM 2 comentários

No mês passado a Blockbuster anunciou seu pedido de concordata nos Estados Unidos (a Blockbuster no Brasil, cujos direitos de exploração da marca pertencem às Lojas Americanas, não foi atingida pelos efeitos da concordata). Um dos motivos que a levaram ao pedido foi o crescimento de empresas de aluguel de filmes com delivery e o surgimento de serviços de streaming de vídeo.

Com a tecnologia disponível nos nossos lares, nos dias de hoje é previsível que o negócio de locação de filmes tende a mudar. Quem não se reinventar corre o risco de seguir caminho semelhante ao da Blockbuster americana. O curioso é pensar como uma empresa controlada por gigantes da área de comunicação não se antecipou a essas mudanças.

Sempre que leio sobre casos como esse, em que empresas não percebem as mudanças que surgem no ambiente de negócios, lembro-me da metáfora do sapo. Se você colocar um sapo vivo dentro de uma panela com água fervendo, imediatamente ele saltará em fuga, pois ele percebe a ameaça em sua própria pele. Porém, se você colocar esse mesmo sapo em uma panela com água fria, e for esquentando-a gradativamente, ele morrerá cozido, pois o sapo – assim como alguns empresários – não percebe as mudanças ocorridas em seu ambiente.

É possível fantasiar o que se passa na cabeça do sapo enquanto a água esquenta, fazendo uma associação com o modelo dos 5 estágios de queda das empresas, propostos por Jim Collins em seu livro “Como as Gigantes Caem?”:

Estágio 1 – O excesso de confiança proveniente do sucesso.
28 graus – Humm, estou tão bem!
30º – Alguma coisa está estranha, mas eu sou um sapo e me adapto fácil.
32º – Conheço tudo e sei que vou me dar bem.

Estágio 2 – A busca indisciplinada por mais.
33 graus – Quer saber? Posso aguentar mais. Consegui aguentar até aqui e posso aguentar mais.
35º – Vou expandir minha ocupação.

Estágio 3 – A negação de riscos e perigos.
36 graus – Ué! Que está havendo? Estou me sentindo desconfortável.
38º – Estou sentindo um calor…
39º – Não estou me sentindo nada bem.
40º – Acho que estou ficando estressado.
42º – É, realmente estou me sentindo mal. Acho que vou esperar um pouquinho para ver se eu melhoro.

Estágio 4 – A luta desesperada pela salvação.
43 graus – Ih! Não estou nada melhor. O que será que está acontecendo, hein?
44º – Se continuar assim vou tomar uma providência inovadora. Vou arrebentar no mercado.

Estágio 5 – A entrega à irrelevância ou à morte.
46 graus – Apesar de todo o conjunto de inovações, nada dá certo.
48º – Eu devia ter agido antes e resgatado o simples, agora é tarde. Estou sem forças, desanimado.
48º – Sapo fervido. Morreu sem, ao menos, saber o que o matou!

O sapo, por ser um anfíbio, é um animal que mantém a temperatura interna de corpo igual a temperatura do ambiente em que está.

Existem duas perspectivas a serem consideradas na vida: a interna, ou absoluta, aquela que você se compara a você mesmo; e a externa, relativa ou ambiental, quando você se compara ao meio ambiente. Como o sapo só se utiliza da interna, vai se melhorando, se ajustando até que chega ao limite da sua capacidade e morre. É um atitude confortável só não é suficiente.

A metáfora do sapo ilustra um padrão de comportamento que muitos profissionais têm frente às mudanças que ocorrem no mundo corporativo. As pessoas ou organizações que usam deste pensamento costumam dizer:

– Ah, aqui sempre foi assim! Para que mudar?

– Ih, melhoramos muito! Você precisava ver como éramos antigamente.

Em um ambiente competitivo no qual vivemos hoje, onde as mudanças são cada vez mais frequentes, devido a velocidade com que a informação circula, quem olha apenas para o próprio umbigo, não as percebe, e como o sapo, não sobrevive.

Não se pode resolver novos problemas usando os mesmos métodos e recursos que deram certo com os antigos. Einstein já dizia: “Os problemas significativos com os quais nos deparamos, não podem ser resolvidos no mesmo nível e estado mental em que estávamos quando eles foram criados”.

Muitas vezes os sinais da mudança estão escancarados em nossa frente. Porém teimamos em ignorá-los, e continuamos trabalhando para nos ajustar, se espremendo, fazendo economia, cortando investimentos, sacrificando o futuro da empresa em troca do presente. Não percebemos que está na hora de mudar, encontrar um novo caminho, desenvolver novos recursos e métodos.

É necessário entender que muitas vezes é preciso decidir se ficamos no bem bom ou arriscamos saltar para fora da panela, sem a certeza de onde vamos pousar. Contudo, quem não arrisca não petisca.

POR ESSA RAZÃO É QUE SÃO PRECISOS NOVOS MAPAS PARA NAVEGAR NOVOS MUNDOS.

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GEP3 – 8º Semestral – Notas de Aula – Planilha OEE para Gráficas Os riscos do Brasil não ser uma potência – Texto de Fábio Pereira Ribeiro (Fonte: www.exame.com.br)

2 Comentários Add your own

  • 1. SL  |  27/02/2012 às 1:43 PM

    Além daqueles que olham apenas seu próprio umbigo, tem aqueles que escutam somente as vozes que os faz sentir bem. Não aceitam opiniões de outros gestores, muito menos colaboradores, infelizmente. Hoje a lei de Darwin deveria ser: Quem não se antever para se adaptar, não sobreviverá.

    Resposta
  • 2. J.C.Cardoso  |  27/02/2012 às 3:01 PM

    Sim, SL. É verdade o que V. fala.
    É nesse ambiente que V. fala que a asquerosa figura do puxa-saco se cria, principalmente sabendo (muito bem) explorar a não-menos-nojenta figura da vaidade que alguns gestores/administradores criam quando assumem postos-chaves numa insituição.
    A questão passa a ser muito mais filosófica do que administrativa.

    Resposta

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