Estamos pensando diferente mesmo? – Texto de Francisco Albuquerque (Fonte: www.hsm.com.br)

27/12/2011 at 8:49 AM Deixe um comentário

Eu gosto de contar histórias, pois elas de alguma forma inspiram e nos fazem refletir acerca do meio em que estamos envolvidos. Também gosto de colocar algumas pitadas dos assuntos que estudo e provar que a teoria, na prática, funciona sim.

Estou lendo neste momento o livro “Design Thinking” de Tim Brown, CEO da IDEO, uma empresa de design industrial que fica em Palo Alto, Vale do Silício, EUA. Para ser mais específico, estou no capítulo 4 (Construindo para pensar – O poder da prototipagem), que nos ensina algumas ferramentas sobre como construir uma ideia por meio de protótipos.

Pois bem. Em uma das minhas experiências profissionais atuando com projetos de engenharia, mais especificamente na área de automação industrial, por vezes fui considerado o cara “chato” no que dizia respeito à criação do plano do projeto. E realmente eu era, mas simplesmente porque eu observava que alguns profissionais, por mais que fossem extremamente competentes em suas atividades, sempre deixavam para trás detalhes importantes do projeto pressionados pelas principais restrições (tempo, escopo e custo).

Geralmente, os profissionais que atuam na execução de projetos não estão tão preocupados em detalhes de gestão. Eles querem o quê? Executar! Simples assim.

Infelizmente, convivi com profissionais que, algumas vezes, não se preocupavam em executar as suas atividades com um grau mínimo de qualidade ou com um pouco de inovação, pois eles já estão de certa forma em suas zonas de conforto e pensam que não precisam “fazer diferente” ou agregar valor ao resultado do trabalho.

Essa afirmação pode ser um pouco categórica e nem estou tentando estereotipar, mas tenho certeza que muitos irão concordar comigo.

Em empresas que vendem projetos, estes costumam nascer na mão da área comercial, e, em alguns casos, os profissionais que atuam nessa área não são técnicos para poder dar a solução mais adequada ao cliente final, o que pode prejudicar a entrega. Não estou julgando a equipe comercial, pois entendo que muitos profissionais altamente competentes na técnica não têm aptidão para ser bons vendedores e, felizmente, precisamos de pessoas com tino e atitudes comerciais nos negócios.

Lembro que o principal guia para a montagem dos projetos que produzíamos era uma especificação técnica e alguns desenhos em Autocad. Desses documentos e reuniões, nasciam outros documentos, muito maiores e mais detalhados, alguns destes em Autocad também, que englobavam todas as informações que a equipe de execução (montagem) iria utilizar como guia.

Os desenhos aqui comentados podem ser comparados aos protótipos de que falei acima, e por que estou dizendo isso? “Protótipo não é isso, você está viajando!”

Pois é, pode ser que, em alguns casos, os protótipos sejam caixas de papelão, peças de Lego, ou um monte de ferros soldados, mas, especificamente neste caso, a projeção em Autocad já nos permitia a prototipagem.

Eu participava de grande parte das reuniões junto às equipes comerciais para entender tecnicamente o projeto com o objetivo de ajudá-los na concepção técnica da proposta comercial. Naquele estágio, eu já criava um “esboço”, ou “protótipo”, para apresentar ao cliente final, pois entendia que visualmente era mais fácil o entendimento de todos os envolvidos.

Vocês já pensaram que uma interface de software ou um site pode ser construído com vários post-it antes mesmo de alguma linha de código ser escrita? O que eu estou querendo dizer é que, independente da forma com que desenvolvemos projetos, podemos utilizar e motivar a criatividade para a criação de “coisas diferentes”.

As expressões “pensar fora da caixa” e “think different” estão sendo muito utilizadas hoje em dia. Viraram até slogan de empresas e estão inspirando muitos executivos e empreendedores, mas eu vejo que isso tudo ainda é muito difícil de ser utilizado na prática.

Será que é o medo das mudanças? Medo do novo? Medo de arriscar? Falta de tempo? Falta de criatividade? Falta de conhecimento técnico?

Recentemente vi um vídeo no TED que passa uma mensagem muito clara sobre isto. Todos nós nascemos criativos, mas a escola e o nosso trabalho nos ensinam a perder a nossa criatividade.

É simples entender o que estou dizendo.

É só olhar para uma criança, que não tem medo de nada, pois ainda está conhecendo o mundo, e se questionar como elas inventam as falas de seus heróis favoritos e histórias para brincar. Isso tudo com os recursos que elas possuem (brinquedos, pedras e colheres) e, claro, a imaginação.

Em estratégia, fala-se tanto na construção de cenários prospectivos e nós que atuamos como planejadores utilizamos dados de mercado, estudo de concorrentes e avaliações econômicas para construir um plano que direcionará os negócios nos próximos anos.

Já que o assunto é inovar e criatividade, será que não podemos utilizar técnicas cinematográficas e de teatro para criar um cenário fictício com os recursos que temos para entender o perfil de um determinado tipo de consumidor? Ou até mesmo buscar entender o comportamento das pessoas e criar estratégias de RH mais assertivas em vez de ouvir somente o que especialistas estão falando na Harvard Business Review ou em congressos pela desculpa de ir a um encontro ou viajar para fora do país?

O que podemos fazer com o pouco que temos indo em busca de um resultado mais assertivo usando a criatividade como meio de encontrar respostas?

Algo a se pensar, não?

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Entry filed under: Gestão.

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