Fazendo um livro em 1947….

13/12/2011 at 9:21 AM 2 comentários

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Entry filed under: Gráfica.

Como ser um bom professor – Mario Sergio Cortella (Assista!!) TCC’s – Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica – 2º Semestre 2011 – “ESTUDO DE VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA PARA IMPLEMENTAÇÃO DE UM CTP EM UMA GRÁFICA DE EMBALAGENS” – Autores: FÁBIO FÉLIX DA SILVA e TIAGO MAGALHÃES DA SILVA

2 Comentários Add your own

  • 1. J.C.Cardoso  |  13/12/2011 às 9:31 AM

    Isso me faz lembrar um texto (meio longo e meio triste, mas muito bem sacado) de Erasmo Braga (1877-1932), jurista e educador presbiteriano, sobre um livro contando a sua história.
    Chama-se “Autobiografia”:

    Nasci na encosta de um outeiro. E fiquei, dentro em pouco, um pinheiro delgado e elegante. Tão elegante que uma senhora, passando com seus filhos perto de mim, desejou-me para árvore de Natal.
    – Como ficará lindo carregadinho de presentes e de doces, com as velinhas de cores – exclamou uma das meninas que acompanhavam a senhora.
    Estremeci até as raízes, pensando que logo me haviam de arrancar para, no grande e festivo dia das crianças, ir adornar o salão de uma escola ou de uma casa abastada.
    Passaram-se, porém, muitos anos e ninguém veio buscar-me para a festa do Natal. Minhas raízes aprofundaram-se mais; meu tronco tornou-se alto e forte; estendi para o céu ramaria possante, que as tempestades não puderam derribar. Todos os anos as pinhas enfeitavam meus galhos; e, quando amadureciam, aves, animais e homens vinham à minha sombra colher os frutos, que se espalhavam pelo chão. Eu era a maior e mais bela de todas as árvores daquela região.
    Mas o dia funesto chegou. Um homem aproximou-se de mim, olhou-me com atenção de alto a baixo, e fez, a facão, um sinal no meu tronco. Vieram depois operários musculosos, de machado em punho; e logo estava eu deitado no solo, com os ramos partidos. Estava reduzido a um simples madeiro – eu, o rei dos vegetais de toda aquela redondeza…
    Arrastaram-me, em seguida, para uma fábrica e reduziram-me a uma polpa branca. Nenhum dos meus camaradas me houvera reconhecido quando, transformado em alvo lençol, sofria a última demão, a fim de aparecer no mercado sob a forma de papel. Que torturas padeci: os golpes mortíferos do machado, o talho agudo das lâminas que me dilaceravam, o aperto horrível de engrenagens que me esmagavam, o atrito áspero de mós que me pulverizavam, o ardor das drogas que me fizeram pálido… Depois de tudo isso, colocaram-me em uma prensa, da qual saí enfardado para uma longa viagem.
    Vendeu-me um negociante a um impressor. Fui para uma tipografia, onde novas angústias me esperavam. Puseram-me em um prelo, no qual, em giros vertiginosos, palavras e gravuras em sobre mim estampadas. Dobraram-me depois. Cortaram-me. Coseram-me. Cobriram-me com duas capas de cartão. E eis-me aqui, agora, meu amigo, para ir contigo à escola.
    Não me maltrates nem me desprezes. Muito sofri para trazer-te a sabedoria dos antigos, as lições da experiência, a expressão dos prosadores e poetas, que enriqueceram tua língua materna e fizeram meigo e suave teu idioma.
    Ama-me e lê-me: eu sou o teu livro.

    Responder
  • 2. Maria Celeste  |  17/02/2012 às 7:45 AM

    Quantas recordações!!!! No livro de capa dura, no qual estudei, estava escrito este texto. Guardei-o na memória!
    Hoje, ao ver uma mensagem sobre parques arborizados, lembrei-me dele e o encontrei aqui!!!!
    Obrigada!
    Maria Celeste

    Responder

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