Gestor, Líder ou Dirigente – Texto de Betania Tanure (Fonte: Revista HSM Management – Edição 87)

18/07/2011 at 9:57 AM 1 comentário

(Este texto é um trecho do Artigo “O Líder Transformador para Valer”, publicado na Revista e que merece ser lido integralmente…)

Bem além da semântica, essa discussão é cada vez mais presente nos fóruns de gestão nacionais e internacionais, às vezes tanto que parece velha e superada. Na verdade, porém, mostra-se mais viva do que nunca, pois, na essência, é dela que dependem os resultados das empresas.
As pesquisas que tenho desenvolvido indicam diferenças importantes entre esses três papéis do executivo. Tais diferenças, que são exploradas aqui, estão diretamente relacionadas com as dimensões racional (estratégia, processos e estrutura) e emocional (pessoas, liderança e cultura) da gestão de uma empresa e a articulação das duas por meio de uma visão de futuro, ou seja, do propósito empresarial.

Gestor.

Se você tem um cargo formal de “chefia” e é responsável por outras pessoas, é um gestor. E um bom gestor é eficiente na criação de bases para resultados empresariais sustentáveis, na articulação e viabilização dos componentes mais racionais da gestão de uma empresa. Mas essas competências, em si, não bastam. Para garantir a eficiência em uma situação de mudança radical, é preciso haver um….

Líder.

É aquele que opera com a energia que mobiliza a empresa. Seu foco está na dimensão mais emocional da gestão, formada por pessoas, liderança e cultura. Reconhecida no mercado com mais soft, tal dimensão gera, ou não, a energia mobilizadora para o processo de transformação.
O líder é legitimado por seus liderados, que o seguem voluntariamente – o que difere do que ocorre com o gestor. Indivíduos se tornam seguidores quando se identificam com conceitos, aspirações e expectativas do líder. A essência da liderança é a capacidade de construir e sustentar esse relacionamento, que envolve troca, influência e persuasão.
Assim, enquanto o líder opera mais na mobilização das pessoas, o gestor cuida essencialmente da eficiência operacional de um negócio. A integração das duas dimensões – emocional e racional – é a chave do crescimento da empresa. Ela necessita de um….

Dirigente.

É um gestor que consegue somar, em seu perfil e em sua ação, suas capacidades com as do líder. O conceito de dirigente – ou líder transformador – não está relacionado com o topo da hierarquia. Pessoas de qualquer nível hierárquico podem ser dirigentes em sua esfera de atuação; basta que trabalhem integrando tarefas e relações e que tenham a coragem de mudar o fluxo natural das coisas.
O dirigente não opera apenas na manutenção e na melhoria contínua, tampouco se restringe à mudança radical. Seu foco não é só estratégia, processos e estrutura, ou pessoas, liderança e cultura. Juntando tudo isso, ele reconhece o fluxo natural e o altera, com coragem e garra, como exige o mundo empresarial de hoje. Tem um propósito claro, uma visão de futuro, que ilumina decisões e ações. E assume os riscos.

Betania Tanure é pesquisadora e professora de gestão da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e professora convidada do Insead, na França. É consultora de empresas e autora de vários livros sobre gestão.

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1 Comentário Add your own

  • 1. Leandra Gomes de Oliveira  |  08/07/2014 às 11:29 AM

    Nas organizações empresariais é bastante comum a interpretação sinonímica para os termos líder, gestor e dirigente. Apesar de correlatos, os termos apresentam propriedades distintas que precisam estar bem definidas na cabeça dos que exercem as funções de chefia.
    Um dirigente é alguém incumbido de uma missão. Alguém que faz uso de seus recursos humanos e materiais para dirigir uma equipe rumo a um propósito. Um gestor é alguém que trabalha a harmonia dos processos. É a pessoa que pensa de maneira holística em todas as circunstâncias capazes de gerar um resultado final o mais próximo possível do esperado.
    Em ambos os conceitos tem-se a ideia de que alguém especializado no processo e profundamente conhecedor das inter-relações existentes entre cada setor é o chefe ideal. Com estes atributo ele detêm a inteligência cognitiva, porém ainda não reúne, necessariamente, o requisito principal para ser um líder.
    O líder é a pessoa que naturalmente desperta nos outros o anseio de segui-lo. Isso ocorre porque o líder reúne características que o enaltecem sob a óptica dos demais. Nele a inteligência emocional se sobrepõe à cognitiva e sua relação com as pessoas é prioridade.
    Idealmente falando as lideranças empresarias deveriam reunir as características dos três conceitos. Porém, nota-se grande distância entre a teoria e a prática. O modelo tradicional, baseado exclusivamente na imposição da classe gestora, ainda vigora na maioria das organizações.
    A experiência tem mostrado que, diferentemente do que se imagina, o verdadeiro valor de uma empresa não está associada a sua marca, tipo de produto ou reserva de mercado. De fato o elemento mais importante de uma empresa é a capacidade criativa de sua liderança. É esta capacidade que permite à empresa se reinventar, inovar, propor soluções para novos problemas, planejar o futuro, recuar quando é preciso, avançar quando é oportuno e sobreviver às mutações do mercado.
    A criatividade é algo tão precioso que a própria ciência se dispôs a entendê-la melhor. Já se sabe, por exemplo, que a criatividade é a reunião de três circunstâncias bem especiais: pensamento divergente, insight e improviso.
    Curiosamente, nos modelos tradicionais de gestão, o pensamento divergente é algo repudiado. Modernamente já se sabe o quanto é importante reunir numa equipe
    pessoas que pensem diferente. Exatamente destas divergências emergirão as soluções mais otimizadas.
    O insight ou momento brilhante, numa tradução livre e pessoal, seria aquela situação onde o colaborador percebe exatamente o que precisa ser feito para melhorar alguma coisa dentro da empresa. Naturalmente, este insight só ocorrerá se a liderança permitir que o colaborador, por mais humilde que seja, sinta que de alguma forma sua contribuição é importante. Para que isto ocorra a liderança não pode pairar soberana, com ares de perfeição. Ao perfeito, nada se acrescenta. A liderança deve estar aberta e totalmente receptiva às contribuições de qualquer escalão. Afinal, ninguém é perfeito, mas uma equipe pode ser.
    O improviso reflete uma situação bastante comum também. Mesmo com planejamento e as melhores previsões matemáticas, constantemente ocorrerão surpresas e serão necessárias adequações. Quando isso ocorrer alguns poderão enxergar dificuldades, pois estarão diante do novo, do inesperado. Mas é importante que a equipe enxergue a oportunidade de pôr em prática novas metodologias, técnicas e táticas. Uma nova perspectiva poderá ser criada e talvez aquilo que um dia fora improviso, no futuro se torne a nova regra. É bem verdade que todas as criações humanas originaram-se de uma necessidade. E toda evolução humana foi fruto de uma maneira alternativa de se pensar sobre alguma coisa.
    São traços comuns aos grandes líderes a visão de futuro, a capacidade de compartilhar sonhos e de criar significado, a credibilidade, o relacionamento mobilizador e o alto grau de conhecimento. Mas uma interessante característica se destaca: o comportamento “agridoce”. Esta palavra expressa a reunião de dois sabores opostos e no conceito de liderança faz menção exatamente ao ônus de promover ações hora agradáveis e outrora desagradáveis. Ao líder cabe motivar, direcionar e promover sonhos. No entanto, também lhe cabe decisões difíceis em benefício de um projeto maior. Demitir um colaborador, por exemplo, é uma decisão delicada e impopular, porém, todo processo é composto de ciclos que se iniciam e se encerram num dado momento. O líder precisa compreender, exercitar e aceitar isso, da mesma forma que aceita o ciclo natural da vida.
    Dirigente, gestor, líder ou qualquer outra denominação que o chefe de uma organização receba. É essencial compreender que ele é a energia que movimenta as engrenagens do sistema. É dele a responsabilidade por viabilizar a participação coletiva, instigar a criatividade, promover a justiça, aferir e comemorar o progresso com seus colaboradores, por mais singelo que seja. Se ao chefe cabe o ônus por eventuais fracassos também caberá a ele os louros dos objetivos alcançados e basta uma grande vitória para suplantar centenas de pequenas derrotas!

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