A única coisa que conta é a sua obra. O resto é vento – Texto “fantástico” de Adriano Silva (Fonte: www.exame.com.br)

30/06/2011 at 12:34 PM Deixe um comentário


Olha, se esta fosse a última chance que eu tivesse de dizer algo a você, talvez fosse isto o que eu lhe diria:

Não é o celular que você tem, nem com quem você anda, nem quantas músicas esquisitas você tem no seu iPod, nem se tem carro da firma ou não. Não é o tablet que você exibe na reunião, nem os nomes que conseguiu contrabandear para dentro da sua agenda, nem com quem você consegue almoçar, nem se está pagando as prestações de uma casa no campo ou na praia. Não é o tênis que você comprou naquele outlet em Miami, nem os gestos charmosos que foi aprendendo ao longo da vida, nem a sua calça Diesel (que talvez diga mais sobre as suas fragilidades do que de quanto você é esperto e bem sucedido). Não é o carro que você dirige, nem o número de amigos que você arregimentou no Facebook, nem a velocidade com a qual você adapta o seu linguajar aos termos e à prosódia que entram e saem de moda.

Não é nada disso, meu irmão. Não é nada disso, minha irmã.

O que conta, no final das contas, a única taxa de sucesso que vale na carreira, o que define você, o que o absolverá ou o condenará de modo sumário diante de qualquer corte, a começar pela sua própria consciência, onde quer que ela more, na hora de julgar a sua trajetória profissional, é uma coisa só: a sua obra. Aquilo que você construiu. Aquilo que você pode, sem sombra de dúvida e sem qualquer risco de estar afanando algo que não lhe pertence, chamar de seu. Os projetos que você bolou e fez virar, os resultados que você erigiu, aquilo que você criou e que vai lhe suplantar no tempo, como uma daquelas marcas indeléveis que tem o poder de contar histórias.

Mas uma obra é mais do que isso. É também as pessoas que você conquistou. É também os afetos que você angariou, o respeito, as boas lembranças, a torcida a seu favor, o que algumas pessoas chamam de reputação, o modo, enfim, como você será lembrado pelos outros – ou pelo menos entre aqueles que importam. Isto é uma obra – os seus feitos e o seu efeito nas pessoas. As paredes que você levantou e as admirações que você arregimentou – ambas as coisas são feitas de rocha sólida. Isso é o que ninguém jamais poderá lhe sonegar. Isso é o que nunca poderão roubar de você, por mais que queiram.

O resto, meu amigo e minha amiga ingênuos, acredite, é vento. O resto é só espuma. O resto é pó.

Adriano Silva
Jornalista e publisher do Gizmodo Brasil. Ele escreve sobre perplexidades, descobertas e insights que acontecem todo dia no mundo do trabalho — e fora dele também. adriano@gizmodo.com.br

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