Archive for abril, 2011

Foco no Equipamento ou na Gestão – Entrevista com Flávio Botana (Fonte: Informativo Sindigraf-RS)

No link abaixo segue a matéria do Informativo Sindigraf-RS que contém algumas opiniões minhas sobre aquisições de equipamentos.

Informativo_Sindigraf_181

29/04/2011 at 2:27 PM 1 comentário

O Brasil está pronto para a economia do conhecimento? – Entrevista de Gilson Schwartz ao Portal HSM (www.hsm.com.br)

Confira a entrevista com Gilson Schwartz, líder do grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento da Universidade de São Paulo (USP), sobre as novas tecnologias sociais e o que falta para o Brasil se inserir neste contexto

O mundo mudou. As empresas mudaram. E a moeda dos negócios passa a ser cada vez mais o compartilhamento. Em entrevista ao Portal HSM, o prof. Gilson Schwartz, líder do grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento da Universidade de São Paulo (USP), fala sobre as novas tecnologias da informação. Para ele, a economia do conhecimento existe quando criar valor depende da inteligência coletiva mediada por redes digitais.
Gilson participou do ciclo “Moedas Criativas” entre os dias 22 e 26 de março no qual foram discutidos qual é o sistema tecnológico, político e ético necessário para integrar o Brasil na sociedade do conhecimento e na economia dos ícones digitais. Na ocasião, foi lançado o livro “Mesh – O Futuro dos Negócios é Compartilhar”, de Lisa Gansky, guru da nova economia digital no Vale do Silício (EUA).
Confira a entrevista completa.

Portal HSM: Como podemos definir a economia do conhecimento?
Gilson Schwartz: Ao longo da história, as mudanças econômicas sempre foram associadas a transformações tecnológicas, ou seja, alterações nos instrumentos por meio dos quais nos relacionamos, seja com a natureza (agricultura, exploração de fontes energéticas como água, tração animal, vapor ou combustíveis fósseis), seja com nossos semelhantes (servidão, escravidão, trabalho assalariado).
Pela primeira vez na história, a mudança econômica deixa de estar relacionada com ferramentas ou instrumentos para manipular o material (natural ou humano), pois o que agrega valor, o que abre mercados, o que gera riqueza é o uso competente de tecnologias da inteligência, ou seja, tecnologias de informação e comunicação.

Portal HSM: Qual será o futuro da sociedade do conhecimento?
GS: O futuro já chegou e países com sistemas educacionais, tecnológicos e culturais primitivos, de baixo dinamismo e criatividade restrita perdem competitividade. A difusão das tecnologias de informação e comunicação depende de consumidores, produtores e reguladores (governos e agências de interesse público) mais preparados.
Se essa base econômica tem pouca intensidade em ativos intangíveis, a sociedade permanece atada aos modelos de consumo de massa do século 20. Isso não significa que as próprias tecnologias da inteligência tenham ficado estagnadas ao longo da história. Evoluíram os meios de registrar nossas memórias, conhecimentos e atividades. Porém, pela primeira vez é a evolução dessas tecnologias de processamento de informação e comunicação, as chamadas TICs, que se tornam o principal motor do desenvolvimento econômico, político e cultural. A economia do conhecimento existe quando criar valor depende da inteligência coletiva mediada por redes digitais.

Portal HSM: Como o Brasil pode crescer inovando por meio das tecnologias de informação e comunicação?
GS: Acredito que estamos já na era da economia, ou seja, a economia dos ícones. Criei essa disciplina de graduação na USP que é oferecida para alunos de engenharia, estatística, computação, economia, administração, contabilidade, comunicações e artes, direito. Para que possamos avançar, busco uma nova perspectiva teórica, novos conceitos de educação profissionalizante, uma nova prática nas áreas de cultura e extensão na universidade, uma aproximação não apenas entre áreas do conhecimento, mas também entre práticas sociais no setor privado, no setor público, na academia e no chamado terceiro setor. Mas criar uma disciplina nova na USP, ainda que difícil, é bem mais fácil do que ver essas convergências conceituais e práticas avançarem na prática.

Portal HSM: Quais as políticas públicas necessárias para inserir o Brasil de vez na economia do conhecimento?
GS: A mudança cultural e prática ocorre aos poucos e, sempre é bom lembrar, com recuos, fracassos e desvios. O Brasil está muito atrasado no investimento em infra-estrutura tecnológica e formação profissionalizante voltadas para a emancipação digital (ou seja, a inclusão digital que gera riqueza, identidade e conhecimento, não apenas oportunidade de consumo de máquinas ou serviços de massa).
Os episódios se sucedem numa longuíssima novela em que ora se fala do FUST, ora da banda larga, outrora foi o GESAC – para tudo se acabar na quarta-feira. Temos que superar a carnavalização da inclusão digital e crescer com políticas públicas e empreendedorismo digital. Finalmente, do ponto de vista estritamente financeiro, estamos ainda engatinhando no mundo da inclusão.
Foi somente em 2009 que o Banco Central organizou o I Forum de Inclusão Financeira. No ano passado ocorreu o segundo. A chave da expansão econômica contemporânea está na chamada “base da pirâmide”. Os dois mandatos do governo Lula colocaram esse modelo em evidência e a percepção de que a lógica do desenvolvimento de baixo para cima exige novos modelos e ganha espaço em todo mundo.
Passamos da globalização financeira para uma nova era de financiamento à sustentabilidade da inclusão social que nem economistas, nem engenheiros e menos ainda cientistas sociais se prepararam para estudar e influir.

Portal HSM: Falando um pouco sobre o livro “Mesh – O Futuro dos Negócios é Compartilhar”, de Lisa Gansky, guru da nova economia digital no Vale do Silício (EUA). Como podemos definir este novo tipo de moeda?
GS: Um novo capitalismo surge no século 21 animado por uma redução radical nos custos de coordenação numa variedade impressionante de atividades humanas. A colaboração no mercado chegará a níveis inéditos, privilegiando o acesso compartilhado em detrimento da propriedade pura e simples. O capitalismo se reinventa valorizando uma nova forma de coletivismo.
No centro dessa nova formação social e econômica está a “mesh”, ou seja, um tipo de colaboração que se torna viável e ganha potência por meio da rede digital, das tecnologias de informação e comunicação (a “network assisted sharing”). A coordenação, privada ou pública, substituirá a propriedade privada de um número enorme de ativos por parte dos individuos, das familias e das empresas.

Portal HSM: Como as empresas devem estar neste contexto?
GS: A “mesh” revoluciona profundamente a atividade humana gerando disrupção na maior parte das indústrias e instituições, não apenas na chamada indústria cultural ou economia criativa. Para os empreendedores criativos será uma oportunidade histórica sem precedentes para gerar valor reinventando setores e abrindo novas fronteiras de mercado. Do jovem que ainda está nos bancos da faculdade aos dirigentes das grandes empresas globalizadas, quem ficar fora da “mesh” será incapaz de competir, por não saber compartilhar.

Katia Cecotosti, editora do Portal HSM

29/04/2011 at 9:35 AM Deixe um comentário

A arte de falar em público – Texto de Thais Alves (Fonte: www.hsm.com.br)

“Todos se preocupam com o conteúdo, com os dados numéricos, com os gráficos, e pouco se preocupam com eles mesmos, que são os “porta-vozes” da comunicação”. Veja em artigo a importância de se preparar para falar em público. Leia mais.

Como Personal Trainer de Comunicação e Imagem, vejo que alguns executivos têm ideias pré-concebidas sobre apresentações verbais. Todos se preocupam com o conteúdo, com os dados numéricos, com os gráficos, com as transparências e pouco se preocupam com eles mesmos, que são os “porta-vozes” da comunicação.

É evidente que a informação aliada à técnica de apresentação é importante, mas quero ressaltar que a naturalidade e o estilo próprio são diferenciais.

Domar a ansiedade, na hora da explanação é fundamental. Não basta só saber o assunto, o profissional deve ter o controle da própria emoção e isso se consegue por meio de exercícios de respiração.

Por causa do nervosismo quase ninguém tem uma postura natural. O corpo precisa ser leve, ágil, entusiasmado. A platéia, além de estar ouvindo, está olhando, analisando, concordando e comprando ou não a ideia.

Falas sem entusiasmo, calor ou ênfase são habituais entre quase todas as apresentações. A voz tem suma importância: embeleza a fala; a ênfase valoriza as palavras e o ritmo vocal dá dinamismo.

As falas modernas são mais enxutas, focadas e pontuais, até pelo fato do mundo estar mais rápido de raciocínio e compreensão, e todos mais ágeis nas decisões. Falas prolixas e sem foco não atingem o objetivo.

Por mais que alguns acreditem que o orador é a pessoa mais importante da comunicação, em verdade, o correto é o oposto: a platéia é a figura principal, pois é ela quem vai aceitar e comprar um projeto, serviço ou produto. Falar coisas que sejam úteis, e que tragam benefícios para quem escuta é a maneira de conquistar a parceria e o interesse da audiência.

O excesso de informação também é um problema, falar em público não é aula e o palestrante não é professor. São cenários absolutamente diferentes. Numa aula acadêmica, todas as informações precisam ser ditas, estudadas, analisadas e há tempo para isso: meses ou anos.

A fala em público é exatamente o oposto, já que a intenção não é formar, mas informar. O ponto essencial precisa ser bem explanado, para conseguir ser atingido. Hoje, o uso excessivo de recursos visuais, é quase uma falta de respeito à paciência alheia. A função do PowerPoint é roteirizar e pontuar e não aparecer mais do que o comunicador.

Para dar certo é essencial roteirizar a fala: o que quero dizer? O que é importante? O que é vital? O que quero vender? Esse pensamento fará com que se tenha foco e objetividade.

Falar em público é uma arte que pode e deve ser treinada, pois em algum estágio da vida todos precisarão se expor, numa reunião, numa apresentação de projeto ou atendendo à mídia. Devemos cuidar com carinho e aprimorar o poder de argumentação e convencimento, já que é uma excelente ferramenta estratégica de negócios.

Thais Alves (Consultora e Personal Trainer de comunicação e imagem. Trabalhou em diversos veículos de comunicação – TV, rádio, teatro, onde exerceu a função de produtora, repórter, apresentadora, diretora de teatro e atriz e hoje é consultora de comunicação da Rádio Jovem Pan AM, Blogueira de Comunicação & Carreira)

Portal HSM

28/04/2011 at 1:34 PM Deixe um comentário

Gestão de Recursos 2: Planejamento Estratégico – Situação de Aprendizagem – Material de Apoio

Os arquivos abaixo serão utilizados na análise estratégica da empresa da situação de aprendizagem

Planejamento Estratégico – Situação de Aprendizagem

Proposta para Planejamento Estratégico – 1º semestre 2011

27/04/2011 at 10:17 AM Deixe um comentário

Desafios do negociador – Entrevista com William Ury (Fonte: Revista HSM Management / Portal HSM)

Em entrevista, o especialista de Harvard, William Ury explica algumas características da negociação na era da Informação, como o longo período de construção de um relacionamento entre as partes. Confira!

A Era da Informação bem que poderia ser chamada de Era da Revolução da Negociação, na opinião de William Ury, um dos maiores especialistas em negociação da atualidade. Segundo ele, o fato de a maioria das tomadas de decisão ser agora horizontal -em equipes de trabalho, forças-tarefas, joint ventures, alianças estratégicas, empresas fundidas ou adquiridas- faz com que tudo passe a depender de um processo contínuo de negociação e renegociação.

E com um desafio extra: as várias culturas envolvidas trazidas à mesa pela globalização econômica. Ury afirma que a forma predominante de negociação da Era da Informação deve ser a negociação cooperativa, de benefício mútuo.

E, reconhecendo que a negociação veloz também predominará, ele projeta a “negociação 80% aprendizado”, que pressupõe a construção -lenta- de um relacionamento de confiança entre as partes. “Isso significa passar a primeira metade do tempo de negociação simplesmente construindo o relacionamento e explorando o problema, aprendendo um com o outro, em vez de começar com um preço ou uma posição”, comenta.

Segundo Ury, o lema do negociador bem-sucedido é simples: “Vá devagar para conseguir andar rápido”. Entre outras questões discutidas, o especialista de Harvard lembra algo muito importante a empresas e governos. A maior interdependência trazida pela globalização significa mais conflito.

O processo de negociação está sendo transformado pela Era da Informação?
Sim, eu diria que há uma revolução silenciosa acontecendo no mundo, tanto nos negócios como na política e na família. É uma revolução na maneira de as pessoas tomarem decisões. À medida que as organizações piramidais se achatam em redes, a forma básica da tomada de decisão se desloca da vertical -pessoas de cima dando ordens para as de baixo- para a horizontal.

O que é a tomada de decisões horizontal senão negociação?
Na verdade, estamos vivendo na Era da Revolução da Negociação.

Isso explica por que a negociação está provocando interesse tão generalizado?
Claro. A fim de conseguir realizar suas tarefas hoje, as pessoas dependem de dezenas de indivíduos e organizações sobre os quais não possuem nenhum controle direto. Não podemos impor uma decisão; somos forçados a negociar. A nova realidade também se aplica até no meio militar, uma organização piramidal por excelência, em que as pessoas estão acostumadas a dar ordens e receber obediência imediata.
Numa série de palestras na Colômbia, fiquei surpreso ao receber uma solicitação do general Zuniga, chefe das Forças Armadas colombianas, para dar uma palestra a seus generais e almirantes. Eles necessitavam de treinamento em negociação, explicou o general, para obter dos políticos o orçamento que buscavam, dos líderes da guerrilha o cessar-fogo que queriam e de seus colegas de farda a cooperação de que precisavam. Mesmo com os subordinados diretos, acrescentou ele, eles não conseguiam obter o desempenho que desejavam com meras ordens; precisavam negociar para conseguir as coisas.

Quais são os grandes desafios dos negociadores de hoje e amanhã?
Estão relacionados com o novo mundo empresarial, onde cada vez mais se realizam trabalhos em equipe e com forças-tarefas, empreendem-se negócios por meio de joint ventures e alianças estratégicas e faz-se empresas crescer com fusões e aquisições.Cada uma dessas formas organizacionais exige negociação contínua e renegociação, à medida que o ambiente dos negócios muda. Temos pouca escolha senão aprender a tomar nossas decisões em conjunto. Não é uma tarefa fácil; trata-se de um grande desafio. Mal sabemos fazer isso em grupos de seis pessoas, imagine em grupos de 600, 6 mil ou 6 milhões. Além disso, com o fenômeno da globalização, os negociadores das empresas enfrentam o desafio de fazer com que pessoas de diferentes culturas cheguem a um mesmo “sim”. Os antropólogos nos dizem que há mais de 6 mil culturas na face da Terra atualmente.Em resumo, talvez o desafio central dos negociadores do século XXI se traduza na seguinte questão: como nos comunicarmos eficazmente e aprendermos a trabalhar juntos.

Qual é o efeito da globalização nas negociações políticas e econômicas?
Em primeiro lugar, é preciso lembrar que maior interdependência significa mais conflito, e não menos. Qualquer pessoa que faz parte de uma família, as brigas entre os que têm dependência mútua são as mais problemáticas. Quanto mais interligadas se tornam as tribos do planeta, mais elas insistem na autodeterminação. Um exemplo claro é a integração européia, que apenas intensificou a atividade dos movimentos separatistas -os bascos e os catalães na Espanha, os escoceses e os galeses na Grã-Bretanha, os bretões e os corsos na França e os lombardos na Itália.

Já que podem compartilhar a prosperidade e a segurança da Grande Europa, pensam eles, por que precisam obedecer às ordens de Madri, Londres, Paris ou Roma?
À medida que a teia cresce, torna-se mais vulnerável ao conflito destrutivo. As brigas começam a afetar não só as partes imediatamente envolvidas, mas também pessoas muito distantes. A guerra do Oriente Médio de outubro de 1973 desencadeou uma crise mundial de petróleo. Em 1998, uma greve dos trabalhadores de uma única unidade da General Motors, em Flint, Michigan, forçou as fábricas de todos os Estados Unidos a demitir aproximadamente 146 mil funcionários e fez com que o crescimento econômico de todo o país caísse quase 1% em um período de seis meses.

Tudo isso significa que nosso futuro político e econômico depende, mais do que nunca, de nossa capacidade de negociar. Diante disso, muda a técnica de negociar?
Estão ocorrendo mudanças não só no que eu chamo de “quantidade de negociação”, mas também no estilo de negociar. Por tradição, a negociação tinha uma característica intrínseca de “ganha-perde”: era considerada como apenas outra forma de guerra. No entanto, as pessoas estão cada vez mais buscando métodos para chegar a soluções de benefício mútuo, o “ganha-ganha”.
Mesmo as maiores companhias do mundo estão descobrindo que precisam negociar de modo cooperativo. A General Motors formou uma aliança estratégica com sua concorrente Toyota; a IBM, com a Fujitsu. Os funcionários e a alta gerência estão aprendendo que, se não trabalharem juntos, nenhum dos dois consegue trabalhar. Para competir no mercado de hoje, você precisa cooperar, ou melhor, negociar de maneira cooperativa.

A revolução digital está despersonalizando o processo de negociação?
É uma faca de dois gumes. Com os processos eletrônicos de comunicação, talvez haja menos contato cara a cara. Porém, o e-mail, por exemplo, permite que as pessoas se comuniquem em profundidade vencendo barreiras hierárquicas -na verdade através de todos os tipos de fronteiras. Nesse sentido, a comunicação eletrônica nos possibilita personalizar novamente os relacionamentos que antes eram efetuados somente por intermediários.
Aqui existe um paradoxo, perceptível na frase de John Naisbitt (autor dos livros Megatendências e Paradoxo Global): “high tech, high touch” (alta tecnologia, alto contato). Quanto mais usamos meios eletrônicos de comunicação, mais precisamos investir em relacionamentos pessoais e prestar atenção às pessoas com quem estamos lidando. Afinal, não estamos negociando com computadores, e sim com seres humanos de carne e osso, que possuem emoções, percepções diferentes de uma mesma situação, crenças e atitudes distintas, estilos de comunicação diferentes.

Fonte: Revista HSM Management
Portal HSM

26/04/2011 at 9:00 AM Deixe um comentário

Frase: Fernando Pessoa

Recebi esta frase como mensagem de Páscoa do meu amigo Orlando e repasso a todos:

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares.

É tempo de travessia, e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”

25/04/2011 at 8:11 AM Deixe um comentário

Por que tanta gente ruim vai mais longe na carreira do que gente boazinha? – Texto de Adriano Silva (Fonte: www.exame.com.br)

Se você for muito bom em algo muito importante para a empresa, ela lhe permitirá ser muito mau em outros aspectos à sua escolha…

Você conhece o tipo. Ele já foi avisado diversas vezes de que precisa melhorar alguns aspectos na sua conduta profissional. Ou é um cara que não responde aos emails com agilidade. Ou que não dá feedback condizentemente a seus funcionários. Ou que tem uma postura meio insubordinada, de permanente desafio aos chefes. Ou então é um cara que se atrasa de modo contumaz em seus compromissos. Ou que faz tudo do seu jeito, à revelia dos outros, assumindo muitas vezes posições inegociáveis dentro do escritório. Ou que é brutal no tratamento dos subordinados. Ou que…, bem, você pode pensar num bocado de coisas para cobrir essas reticências.

Apesar de tudo isso, e de essas deficiências serem notórias e públicas, você já percebeu que o sujeito está muito longe de ser demitido. Ou mesmo de ser advertido mais seriamente. Como pode? Você que é tão menos cheio de arestas patina na carreira e o sujeito, cheio de espinhos, não para de avançar. Quer saber, só aqui entre nós? Provavelmente ele será promovido, com suas idiossincrasias, antes de você, que é todo certinho, que tem o perfil do funcionário que seu chefe pediu a deus. Mas por que – meu deus?

A verdade é que o sujeito que é recorrentemente negligente em determinado aspecto da sua conduta só sobrevive, só pode continuar vivo na carreira, se for muito bom, mas bom demais, em algum outro aspecto. (A outra hipótese é que ele conhece algum podre, é amante de alguém importante, tem, enfim, as costas esquentadas por algum fator não profissional. Mas não é disso que estou falando) O ponto aqui é que o sujeito só pode se dar ao luxo de ser ruim num aspecto se ele for estupendo em outra função que a companhia considere mais importante. É daí que vem a autoconfiança quase suicida de sujeitos assim, que, ao contrário de você, não estão nem aí para seus eventuais defeitos ou para as críticas que recebem. Afinal, eles já perceberam que suas virtudes parecem compensar todas as arestas, aos olhos da empresa. Ou o cara vende muito bem. Ou tem ideias sensacionais. Ou é um exímio cortador de custos. Ou é querido pelos clientes. Ou tem grande entrada junto aos investidores. Ou é um grande negociador junto aos credores.

As empresas fazem facilmente essa troca – ficam com as vantagens que o sujeito oferece e engolem os aspectos menos brilhantes que ele por ventura carregue consigo. Numa palavra: esse cara vai se eternizar na companhia, tem muito mais chances de fazê-lo do que você. E não porque ele seja em maior medida do que você um funcionário que a alta direção pediu a deus, mas precisamente porque ele é o funcionário que a turma do andar de cima pediu ao diabo.

20/04/2011 at 11:54 AM 2 comentários

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