A importância da boa utilização da TI (Tecnologia de Informação) na Indústria Gráfica – Texto de Flávio Botana

28/12/2010 at 10:39 AM Deixe um comentário

Estamos vivendo a Era da Informação!

A Tecnologia de Informação hoje faz parte do dia a dia das empresas, dos governos e das pessoas, e vem transformando com uma velocidade alucinante as rotinas, os procedimentos e alguns conceitos que estavam aparentemente arraigados e que agora fazem parte do passado.

E a Tecnologia de Informação impactou diretamente o mundo das comunicações, provocando mudanças radicais na forma de divulgação das informações, na maneira de mostrar novos produtos para os futuros clientes, na forma de divulgação da cultura, no processo da educação, etc. E como é muito fácil de ser notado, estas mudanças alteram também de forma drástica a nossa industria gráfica.

São os tempos de mudanças, que inegavelmente trazem benefícios às pessoas, e que devem ser sempre bem-vindos. Podemos até dizer que mudança não é novidade na história do mundo, que sempre passou por transformações (que o digam Gutenberg, a Revolução Industrial, as Guerras Mundiais, etc). Realmente o que pode nos assustar é a intensidade e a velocidade das mudanças, mas o que se pode perceber é que este processo é irreversível…

São os novos tempos! Vivemos mais uma nova era!

Vamos analisar então como estas mudanças afetam a vida das nossas empresas e, em particular, quais foram as alterações no perfil dos profissionais que trabalham nas empresas em geral, nos escritórios e nas fábricas, e em particular, o novo perfil do profissional da indústria gráfica.

Em seu brilhante artigo de 2000 “Além da Revolução da Informação”, Peter Drucker analisa a estrutura das mudanças provocadas pela tecnologia da informação. Ele apresenta inicialmente a tecnologia de informação não como um elemento de transformações radicais, mas como um “acelerador” das rotinas existentes, conforme mostra o trecho do artigo abaixo:

“Como a Revolução Industrial dois séculos atrás, a Revolução da Informação nos seus primeiros 50 anos (de 1940 até 1990) apenas transformou processos que já existiam. Na verdade, o impacto real da Revolução da Informação não ocorreu na forma de informação. Por exemplo, praticamente não houve mudança na forma em que são tomadas as decisões nas empresas ou governos. A Revolução da Informação apenas transformou em rotina processos tradicionais de inúmeras áreas. O software para afinar um piano converte um processo que tradicionalmente levava três horas para algo em torno de 20 minutos. Há software para folhas de pagamentos, para controle de estoque, para programações de entrega e para todos os outros processos de rotina de uma empresa. O projeto das instalações internas de um grande prédio (aquecimento, hidráulica e assim por diante), de um presídio ou de um hospital antigamente envolvia, digamos, 25 projetistas altamente especializados durante 50 dias. Agora, existem programas que permitem que um projetista faça o trabalho em alguns dias, a uma fração ínfima do custo. Existe software que ajuda as pessoas a preencher a declaração de imposto de renda e software que ensina os residentes de hospital a retirar uma vesícula biliar”.

Neste artigo ele comenta que a grande transformação provocada pela Tecnologia da Informação surge no final do século passado e início deste século com o advento do comércio eletrônico, que efetivamente começa a mudar a forma de se fazer negócios. Veja seus comentários:

“O comércio eletrônico é para a Revolução da Informação o que a ferrovia foi para a Revolução Industrial – um avanço totalmente novo, totalmente sem precedentes,
totalmente inesperado. Fazendo uma analogia com a ferrovia de 170 anos atrás, o comércio eletrônico está criando uma nova explosão, mudando rapidamente a economia, a sociedade e a política.

Na nova geografia mental criada pela ferrovia, a humanidade dominou a distância. Na geografia mental do comércio eletrônico, simplesmente eliminou-se a distância. Existem somente uma economia e um mercado.”

Vamos comentar separadamente estas duas situações, que passarei a chamar de “fazer mais rápido” e “fazer diferente”.

Quando falamos do “fazer mais rápido”, observamos que a princípio o resultado final será o mesmo, só que a forma de fazer será muito mais fácil e muito mais rápido.

Alguns gênios da informática conseguem entender certas rotinas e sistematiza-las de forma que “apertando-se um botão” ocorrem diversas atividades que exigiam uma série de deslocamentos, observações e ajustes, que demandavam a utilização de várias ferramentas e obrigavam o trabalhador a usar o seu feeling e a sua experiência para obter os resultados esperados.

Partindo-se do pressuposto que estas sistematizações são bem feitas (o que nem sempre ocorre), isto é, que o resultado final é tão bom ou melhor do que se obtinha anteriormente, podemos chegar à conclusão de que trabalhadores não tão bem treinados e com pouca experiência conseguem obter, na grande maioria das situações, resultados praticamente iguais aos obtidos pelos trabalhadores mais experientes.

Vamos dar 2 exemplos:

– Com uma impressora de última geração, um impressor com pouca experiência, mas que saiba utilizar os recursos tecnológicos de seu equipamento, consegue fazer um setup de um serviço “normal” em quadricromia praticamente no mesmo tempo e com a mesma qualidade obtida por um impressor experiente.

– E da mesma forma, um orçamentista sem experiência que conhece bem o software de gestão que utiliza pode fazer um orçamento “normal” tão correto e tão rápido quanto um orçamentista experiente.

O fato conclusivo que podemos obter deste exemplos é que “profissionais piores conseguem resultados que antigamente só os bons profissionais conseguiam”.

Antes que a frase possa trazer algum incômodo, esclareço que uso o termo “pior” para indicar profissionais com menos conhecimento de processos, menos experiência na operação de equipamentos e menor conhecimento das variáveis envolvidas, e não para classificar profissionais como menos envolvidos ou menos dedicados.

E vejam que isso é bom!!! A tecnologia eleva o patamar médio de qualidade de uma forma geral, demandando menos recursos humanos. Ela permite a empresas que não tinham condições de prover trabalhos com qualidade por falta de profissionais habilitados que hoje possam competir com produtos melhores fornecidos em prazos competitivos. A tecnologia “socializa” a qualidade.

Só que este avanço pode trazer terríveis efeitos colaterais, causados basicamente pelo fato de que poderemos entender erroneamente que não precisaremos mais formar profissionais tão qualificados para se obter bons resultados, já que a tecnologia resolve os problemas…

Esta é a grande falácia da Tecnologia!

O fato de termos equipamentos, dispositivos ou softwares mais completos e fáceis de operar não elimina a necessidade de um profissional muito bem formado. E estes equipamentos, dispositivos ou softwares devem ser “ferramentas” na mão do profissional. Quando tudo estiver bem e os produtos processados forem “normais” ou padronizados um trabalhador menos qualificado conseguiria o resultado mas o profissional pleno consegue faze-lo um pouco melhor ou mais rápido.

No entanto, a grande diferença é quando as coisas fogem da normalidade. Aí o profissional é requisitado para atuar. Tentar descobrir causas de anormalidades, tentar alterar algumas variáveis do processo para obter melhores resultados, tentar otimizar a forma de trabalhar com produtos não usuais são tarefas que a tecnologia não resolve sozinha. É necessário o talento, a experiência e o conhecimento técnico de um profissional pleno… e a tecnologia disponível pode ser uma boa ferramenta para ajuda-lo… nada mais do que isso.

Portanto temos que tomar alguns cuidados se temos a tecnologia, mas não temos quem a conheça ou quem a opere:

1º) Evitar a dependência
Se você começar a ouvir frases do tipo: “O sistema não deixa fazer…” ou “Não da para fazer isto porque estamos sem sistema”; provavelmente você tem que trabalhar a capacitação do seu profissional, pois ele é “incompleto”. Um bom impressor “tem que” saber acertar e rodar uma máquina sem todos os recursos da tecnologia (evidentemente que com mais dificuldade); um orçamentista “tem que” saber fazer um orçamento quando o sistema cai (evidentemente num tempo maior). O sistema ajuda o profissional, mas não substitui o conhecimento necessário para a realização das operações.

2º) Não aceitar a falta de “excelência” nos trabalhos
Uma boa tecnologia mal operada pode dar resultados razoáveis ou bons, mas será muito difícil que dê resultados excelentes, diferenciados. O risco de termos tecnologias mal operadas é irmos nos tornado commodities, isto é, faremos o que todos fazem, cobrando o que todos cobram e dando ao cliente a satisfação que todos dão. Esta é uma receita extremamente perigosa num mundo competitivo como o que vivemos. A diferenciação real, o trabalho com excelência vem com um excelente profissional utilizando uma excelente ferramenta tecnológica.

3º) Não perder a qualidade na solução dos problemas
A capacidade de uma empresa é medida quando tudo vai mal. A anormalidade testa o conhecimento, a flexibilidade e a disposição da empresa. E nesta hora, de novo, o profissional “vai para a vitrine”. É a hora da inovação, da criatividade e da flexibilidade ( o que chamo de trocar o ideal pelo possível ), e, de novo, a tecnologia pode ser uma excelente ferramenta, mas quem faz o que precisa ser feito é o homem.

4º) Não abrir mão do talento
A empresa, a escola e os governos são responsáveis pela boa formação dos profissionais, e mesmo tendo todas as facilidades que a tecnologia pode trazer, eles não podem abrir mão de continuar a atuar neste papel de geradores de conhecimento, com o risco de tornar as nossas empresas medianas e commoditizadas. Precisamos encontrar, formar e reter talentos.

Falando agora da outra forma de atuação da tecnologia, que é o “fazer diferente”, entendo que esta é a parte nobre da atuação da Tecnologia de Informação nas empresas, e particularmente nas empresas gráficas.

Quando utilizamos a tecnologia para criar novas formas de fazer as tarefas, otimizando as suas características e os seus resultados, quer sejam em qualidade, custo ou prazo, não estamos apenas melhorando o que existe, mas sim transformando o ambiente produtivo para algo melhor.

E certamente estas novas tecnologias irão demandar um novo grupo de profissionais extremamente capacitados para operar estas transformações.

E aí sim temos um circulo virtuoso. Novas tecnologias gerando novos processos que demandam novos profissionais e que geram produtos diferenciados para atender ou até criar novas expectativas dos clientes.

Para concluir, reforço que a Tecnologia de Informação é excelente, necessária, importante e estratégica… mas é somente uma ferramenta. Nunca podemos deixar de entender claramente quem é o dono de quem. Não podemos ser escravos da tecnologia, pois desta forma estaremos nos diminuindo como seres pensantes. Temos que ser os agentes do processo utilizando (ou não) os recursos tecnológicos disponíveis para otimizar os nossos resultados.

Repito, nunca esqueça quem é o dono de quem! Você domina a tecnologia ou a tecnologia te domina?

Acredito que o fator de diferenciação das empresas foi, é e deverá ser sempre o homem. Precisamos de muitos seres humanos (inteligentes) para criarem os Sistemas e as Tecnologias e precisamos também de muitos outros serem humanos (também inteligentes) para operar estes Sistemas e utilizar estas Tecnologias em prol de um melhor resultado para as empresas e uma melhor qualidade de vida para os seus colaboradores.

Flávio Botana

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