O que são as Tecnologias Disruptivas e como elas estão afetando (e irão afetar) o negócio da indústria gráfica – Texto de Flávio Botana

01/09/2010 at 11:05 AM Deixe um comentário

Recentemente tive contato com alguns artigos e comentários sobre tecnologias disruptivas e ao analisá-los tive a sensação de que a indústria gráfica vem sofrendo os seus efeitos a algum tempo (talvez mesmo antes do termo ter sido criado por Clayton M. Christensen e introduzido em seu artigo de 1995, “Disruptive Technologies: Catching the Wave”), e que ainda somos um “alvo interessante” para estas futuras inovações. O tema me parece intrigante e acredito que deva ser acompanhado de perto pela indústria gráfica em geral.

Primeiramente vamos entender o que são as tecnologias disruptivas. (E vamos ao Google! – que certamente é uma inovação disruptiva)

Tecnologia disruptiva ou inovação disruptiva é um termo que descreve a inovação tecnológica, produto, ou serviço, que utiliza uma estratégia “disruptiva”, em vez de “evolucionário” ou “revolucionário”, para derrubar uma tecnologia existente dominante no mercado. As tecnologias “evolucionárias” provocam melhorias incrementais nos produtos/serviços; as “revolucionárias” provocam grandes alterações e as tecnologias “disruptivas” destroem o que existe e atende às mesmas exigências dos clientes com diferenças absolutamente significativas utilizando algo completamente diferente e novo.

Exemplo de tecnologias disruptivas bem sucedidas não são muito comuns. Eventualmente uma tecnologia disruptiva vem a dominar um mercado existente, seja preenchendo um espaço no novo mercado que a tecnologia antiga não conseguia atender, ou por lentamente ir ocupando um lugar no mercado, começando com um produto mais barato com performance inferior, e através de aperfeiçoamentos finalmente ocupar o espaço dos líderes do mercado.

O exemplo clássico de tecnologia disruptiva é a máquina fotográfica digital em relação à máquina fotográfica tradicional com filme e revelação.

Em um artigo da wikipedia que fala sobre o tema são mostrados vários exemplos de aplicações de tecnologias disruptivas, e o que me chamou a atenção foi que 3 deles envolvem o nosso ramo (http://pt.wikipedia.org/wiki/Tecnologia_disruptiva)

São eles:
– Editoração eletrônica x editoração tradicional
Me recordo que no início dos anos 80 a diagramação do texto fazia parte do “processo gráfico”. Eram os tempos das laudas datilografadas…

– Impressão digital x Impressão offset
No começo, a opção dos dados variáveis. Depois possibilidade de impressão a cores com baixa qualidade e produtividade. Hoje é uma opção que viabiliza produtos que em outras épocas não seriam possíveis de serem produzidos de forma econômica.

– E-book x livro de papel
É a “virada” em início de processo, sobre a qual praticamente todos têm dúvidas sobre a sua amplitude, sobre os seus efeitos e sobre as suas conseqüências na indústria de comunicação (Editoras, Gráficas, Distribuidoras, Livrarias). Sua importância pode ser avaliada pelo número de artigos que estão sendo dedicados a este tema e sobre a atenção que todos os interessados estão tendo em acompanhar passo a passo o desenvolvimento e a evolução do assunto.

Acredito que também poderíamos incluir aí a mudança nos processos de pré-impressão que saíram dos sistemas óticos (lembram-se dos quartos escuros dos “Estúdios”?) para os scanners que digitalizam as imagens, sendo que a partir daí todo o processo de retoque e montagem passou a ser também digital.

Uma outra coisa que também é necessário que se analise é o “efeito destruidor” das tecnologias disruptivas no ambiente existente.

Se uma tecnologia disruptiva se impõe ao mercado, ela provoca mudanças radicais em diversas dimensões:

– Podem mudar modelos de negócio
É só ver a mudança do processo de “comercialização de músicas” – do CD para o iTunes

– Podem mudar as estruturas das empresas
Com a tecnologia de informação não existem fronteiras. O setor “ao lado” da sua empresa pode estar no mesmo prédio, ou na Índia (ou China).

– Podem mudar as estruturas industriais das empresas
Novas tecnologias quase sempre implicam em novos equipamentos. Desaparecem fábricas velhas e surgem novas

– Podem mudar os perfis dos profissionais requeridos
Profissões ficam obsoletas e surgem outras novas. Remunerações mudam. O sistema de ensino precisa se adaptar

– Pode mudar o mercado
Mudam-se hábitos, mudam os consumidores, muda o mercado

Portanto é de certa forma esperado que empresas ganhem muito (ou nasçam) e que outras percam muito (ou morram) em função destas tecnologias. Ou que o ranking destas empresas se altere radicalmente, privilegiando as empresas pioneiras e as inovadoras e penalizando as resistentes.

Sem esquecer que a maioria das tecnologias disruptivas não emplaca, e neste caso se um “pioneiro” apostar todas as suas fichas numa tecnologia que não vinga, é ele quem morre.

O fato é que as “tecnologias disruptivas” estão aí e não dá para fingir que elas não existem, pois o risco de elas afetarem profundamente vários ramos de negócio não é pequeno. Particularmente a indústria gráfica, que faz parte do processo de comunicação de uma forma geral, pode ser ainda mais afetada pois é no mundo da comunicação que estão ocorrendo as grandes mudanças tecnológicas das últimas décadas.

Mas diante disso o que o empresário gráfico pode e deve fazer com relação às tecnologias disruptivas?

Em primeiro lugar, manter-se informado, pois o volume de informações que surgem continuamente é espantoso. É necessário se informar de tudo, ler várias opiniões sobre o mesmo tema e tentar dentro do possível fazer uma análise para chegar a uma visão própria sobre o assunto, lembrando que, principalmente quando se fala de “tendências”, muito do que se fala podem ser estimativas ou visões ou opiniões que talvez não estejam apoiadas em fatos concretos. Deve-se tomar cuidado para não se embarcar em idéias de “gurus” de ocasião. Outro aspecto também importante é que, como se fala de futuro e de tendências, elas podem mudar muito e podem mudar rápido. Acompanhar as informações e as suas mudanças é fundamental.

Em segundo lugar, não deixar de pensar estrategicamente, porém sem deixar de incluir uma análise de risco para as decisões de longo prazo. O plano “B” passa a ser cada vez mais importante (e porque não pensar no Plano “C”, “D”, etc) pois não se pode apoiar toda a estratégia da empresa em apenas uma alternativa de futuro. Não se pode também só pensar no curto prazo pois provavelmente algumas ações necessárias para o futuro deixarão de ser tomadas. O importante é que as decisões estratégicas que a empresa tomar devam estar sempre inseridas num cenário de incertezas e mudanças, para que a avaliação de riscos seja bem feita e que possíveis correções de rota que sejam fruto de mudanças tecnológicas, não venham a comprometer a saúde da empresa.

Também não é menos importante se preocupar em manter uma equipe tecnicamente atualizada e pronta para reagir, ou melhor, “antever” as novas tecnologias, adaptando-se rapidamente a elas e tirando delas o proveito que o seu negócio pode obter, da forma mais rápida possível, pois é fato que as novas tecnologias aparecem muito rápido e também desaparecem muito rápido. Quem perde o “trem da história” pode correr o risco de não aproveitar os benefícios que novas tecnologias podem trazer para o negócio.

E para concluir, é imprescindível que o empresário gráfico esteja preparado e “goste” de mudanças. O perfil extremamente conservador tende a perder espaço no mundo das comunicações. O “ousado consciente” deve ser o perfil mais adequado para o ambiente que se aproxima.

Está claro que estamos e estaremos vivendo num mundo onde haverão muito mais perguntas do que respostas. No entanto, o futuro está aí e é incerto. Podemos temê-lo ou nos preparar para enfrentá-lo. Esta será a escolha de cada um.

Mai 2010.

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