O que há de novo? – Mario Sergio Cortella (Brilhante!!!! como sempre)

12/04/2010 at 10:36 AM Deixe um comentário

Observando as mudanças do ponto de vista filosófico e histórico, Mario Sergio Cortella levou o público do Fórum HSM de Gestão e Liderança 2010 a refletir sobre a dimensão da novidade hoje

O filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella foi o primeiro palestrante do segundo dia do Fórum HSM de Gestão e Liderança 2010. Com a simpatia e o bom humor que lhe são peculiares, levou a audiência a refletir sobre a tão falada “mudança” e sobre ética nas relações, entre outros aspectos.

“Num mundo em transformação, há pessoas que se esquecem que a ética também caminha para uma mudança”, alertou Cortella no início de sua apresentação. O professor referia-se ao movimento do Ocidente em relação ao Oriente, e vice-versa. Nos países de ética não-judaico-cristã, como as potências China e Índia, a maioria da população é reencarnacionista. No entanto, a ética Ocidental é calcada na crença em uma só vida, e mais em escolha do que em destino. Que diferença isso pode fazer?

Considere que você é uma empresa global atuando em Bangalore, na Índia. Sua equipe indiana talvez esteja muito menos preocupada com um plano de carreiras do que com a roda das reencarnações. Menos preocupada com cuidar do final desta vida, por meio de uma previdência privada, do que um ocidental estaria. Afinal, para hinduístas, a vida não é só esta e, a próxima, dependerá desta.

Essa imagem levou à reflexão sobre o conceito de tempo. O palestrante recordou o que respondeu Mao Tsé-Tung, líder da revolução comunista da China, quando indagado sobre o que achava a respeito da Revolução Francesa, ocorrida em 1789: “É muito cedo para avaliar”. Contou ainda que a China, em grande parte confucionista, acaba de investir na compra de alguns dos pianos mais sofisticados e desejados do mundo. O objetivo? “Em 2100, queremos ter os melhores pianistas” – certamente, uma maneira distinta de estar no mundo. “Longo prazo, para nós, é o mês que vem”, brincou Cortella.

“Não há lugares marcados no futuro, a menos para quem é capaz de prestar atenção aos processos de mudanças e ter postura proativa em relação a isso, isto é, estar preparado”, alertou. Mas é bom ter em mente que todo ser humano da história sentiu que as mudanças que observava no mundo eram turbulentas e angustiantes, em qualquer época. “Cuidado com quem diz ‘este mundo está perdido’, porque é sinal de que essa pessoa começou a se perder neste mundo. A novidade não é a mudança, mas a velocidade da mudança.”

As inovações tecnológicas trouxeram novidade idêntica à que trouxe o Renascimento do século XVI. Na visão de Cortella, as mudanças dos últimos cinco séculos foram golpes no óbvio e, portanto, temos de ter cuidado com ele, em vez de desprezá-lo afirmando “Mas isso é óbvio!”.

Cuidado com o óbvio!

Vivemos 500 anos de rupturas ocasionadas por quem conseguiu ver alternativa ao óbvio, ou ao que era tido como verdade universal. “Imagine que, se você e eu vivêssemos na Europa de 1510, viveríamos num universo redondo e finito com Terra no centro, o homem no centro da terra, alma no centro do homem e Deus no centro da alma. Isso foi abalado com uma velocidade inacreditável, a começar por Galileu, que assumiu a visão de Copérnico.” O professor chama a atenção para o fato de Galileu ter dito que o que nós víamos não era real. “Ele negou o óbvio e nos tirou do centro do universo, embora até hoje pensemos ser o centro, que Deus fez tudo isso só para estarmos aqui.”

O pesquisador Charles Darwin, por sua vez, no século XIX, disse que não fomos criados um pouco abaixo dos anjos, mas um pouco acima dos macacos. “Isso sim é abalo, pois nossa autoimagem foi embora. Ainda disse que somos frutos do acaso e da mutação e que poderemos não estar aqui um dia.”

Chegou o tempo de Sigmund Freud e, então, soubemos que temos um porão escondido, o inconsciente. “Se abrir a porta do porão, sai um zoológico. Acontece nos sonhos, na embriaguez, nos atos falhos. É o porão que nos controla e, portanto, a alma não está mais no centro do homem. Pouquíssimo tempo depois, Deus morreu. Essa foi a noção que surgiu com as discussões de Freud, Nietzsche e Marx sobre a divindade. Em suma, a concepção do mundo já havia mudado completamente, quando Einstein provou: “Tudo é relativo, nada é fixo”.

Nos últimos 50 anos, vivemos simplesmente muita aceleração tecnológica, acentuada rapidez no surgimento de ideias, alta velocidade nas vidas e nos processos, o que nos leva a muitas incertezas. Estamos como no período renascentista. Porém, como bem definiu Immanuel Kant, no século XVII, mede-se a inteligência de um indivíduo pelo número de incertezas que ele é capaz de suportar.

HSM Online

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