Análise de Investimento para Compra de Máquinas: Será que vão mudar os conceitos?

19/10/2009 at 10:56 AM 5 comentários

Em uma das minhas diversas discussões com meus alunos sobre os destinos dos produtos gráficos do ramo editorial (livros, jornais, revistas) no que se refere à forma de impressão (offset ou digital) e até mesmo na forma de apresentação (em papel, num e-reader, na tela do computador, etc), surgiu um tópico que me parece muito interessante e que acho relevante a ponto de querer discuti-lo aqui no blog.

A questão se refere à análise dos investimentos em equipamentos de impressão.

Atualmente, dependendo do tipo de equipamento que desejamos adquirir, os volumes financeiros envolvidos atingem a marca de centenas de milhares ou até milhões de Reais. E o tempo de vida útil previsto é geralmente de 10 anos para efeito de depreciação gerencial, mas com a certeza de que o equipamento durará mais do que isso (15 anos é bastante aceitável, 20 anos… quem sabe).

Se pensarmos, no entanto, num equipamento de impressão digital, talvez 10 anos seja um tempo longo demais! O equipamento provavelmente estaria em boas condições até lá, mas a questão é que o tempo de vida útil do equipamento se esgotaria por “obsolescência técnica”.

Veja que isso já ocorre no nosso dia a dia com os computadores e mais recentemente com os celulares. Não trocamos de aparelho porque eles ficam velhos ou porque quebram. Trocamos porque eles ficam obsoletos. Parece ser uma tendência! E isso forçou os fabricantes a terem produtos mais baratos e mais adaptados a um tempo de vida útil menor (reparem, por exemplo, que nitidamente dá para perceber que os materiais utilizados na fabricação dos celulares mudaram. E parece que a resistência não é a maior virtude destes novos materiais).

Então, diante destas evidências eu me pergunto: será que não deveríamos começar a tomar mais cuidado nas análises de retorno de investimento para a compra de grandes equipamentos de impressão? (e acredito que também para pré-impressão e acabamento)

Será que daqui a 10 ou 15 anos a tecnologia que estou comprando hoje (e pagando caro!) será útil? Ou será que nossos equipamentos também vão começar a morrer por obsolescência técnica?

Um exercício interessante para dar subsídio para este questionamento é olharmos 10 ou 15 anos PARA TRÁS, e ver o quanto mudou de lá pra cá. Em 1994 não tínhamos Internet disponível em larga escala; celular era coisa de alguns; a inflação era alta; começava-se a falar seriamente de terceirização, etc. Resumindo, era outro mundo!

E se fizermos uma análise fria a chance para os próximos 15 anos é de que muito mais mudanças radicais aconteçam, porque afinal de contas, o mundo está girando cada vez mais rápido.

Portanto, meu grande questionamento é: Nós vamos precisar em 2019 das máquinas que estamos comprando hoje?

Dê a sua opinião. Comente. Questione.

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Entry filed under: Debates, Gestão, Gráfica, Senai.

Notas da Prova – GER1/Botana (1o. sem) “Organizações que Aprendem”; “Visão Sistêmica”; “Sustentabilidade”: Este é o autor que pode e deve ser a referência para estes temas -> Peter Senge

5 Comentários Add your own

  • 1. reinaldografico  |  19/10/2009 às 12:37 PM

    Se eu estivesse prestes a comprar uma máquina, realmente depois de ler este post eu pensaria 2 vezes.
    Sei que existem vários procedimentos internos para compra de insumos. Por exemplo, ter no minimo 3 ou 5 fornecedores, comprar o que tiver menor preço, etc. etc… É óbvio que estes procedimentos não se aplicam a compra de equipamentos.
    Hoje no mercado, existem algumas “regrinhas” para compras de equipamentos, por mais que não estejam descritas em documentos, como o procedimento para compra de insumos,
    elas existem, estão na mente do empresário, do gerente, do tecnólogo, enfim, da pessoa responsável por esta compra.

    1 – Se nossas máquinas forem sofrer este “efeito celular”, o desempenho será o mesmo ? Ou teremos máquinas que com 3 anos sofrem por falta de bateria ?

    Minha opinião é que ainda que soframos este “efeito celular”, as pessoas que compram equipamentos serão cada vez mais capazes de avaliar a sua utilização, características, diferenciais, e saberão portanto que o equipamento que ela está comprando tem uma vida útil, e então, deverá pensar no próximo passo. Não se perguntando simplesmente qual a minha próxima máquina, mas se perguntando o que os meus clientes querem para os próximos 5 anos ?

    O que eles querem mesmo ?

    Abraços,
    Reinaldo

    Responder
  • 2. Claudenir  |  19/10/2009 às 5:35 PM

    Penso que os equipamentos e tecnologias apresentadas neste momento com certeza estarão obsoletas no futuro quem sabe daqui a uns 10 anos, mas mesmo assim comprar um equipamento tão caro requer uma análise generalizada do nosso próprio parque industrial, pois estes equipamentos sofrerão com uma nova tecnologia ou até mesmo novas tendências, porém estaremos com uma quantidade de equipamentos que não podem simplesmente ser jogado fora.
    Acredito que como equipamento, existe um bom caminho a percorrer, mas se a tendêcia mudar de rumo, aí muitas máquinas poderão ficar sem o que fazer.

    Responder
  • 3. Robson  |  21/10/2009 às 12:11 PM

    Botana,
    Particularmente eu acho que, a medida em que o tempo passa, a vida útil das máquinas (tecnologias) fica cada vez mais curta. Nesse contexto, os modelos mais evoluídos tendem a durar mais tempo até que se tornem obsoletos, enquanto os mais antigos e “maquiados” se transformam em “ferro” rapidamente. Podemos fazer um paralelo com os carros: Santana 2002 X Honda Civic 2002. O Santanão foi bom no passado, mas seu projeto já estava esgotado, enquanto o Civic ainda tem muita lenha para queimar. Quem comprou em 2002 um Civic, certamente é mais feliz do que quem comprou um Santana.
    Vende-se máquinas modernas pelo que fazem hoje e pelo que farão no futuro, e vende-se máquinas maquiadas apenas pelo que fizeram no passado. Apesar da gritante diferença, ainda hoje existem vários compradores que escolhem seus equipamentos apenas pela marca, em detrimento dos resultados. O que será desses caras quando tiverem que enfrentar os concorrentes Y?
    Olha a liquidação! Pode chegar meu senhor, é baratinho, baratinho, tem Variant, Brasilia, Corcel, Del Rey, Chevette e Opalão, tudo revisado e garantido. Vamos chegando…
    Abraços.
    Robson

    Responder
  • 4. Robson Carvalho  |  30/10/2009 às 1:26 AM

    Hoje ouvi de um empresário que a IGen3 da Xerox que ele recebeu em 2004 já não atende as suas neessidades. É assustador, não?

    Responder
  • 5. Clodoaldo Mori  |  31/10/2009 às 9:34 AM

    Caro mestre Botana.
    Esse é um assunto bem polemico, pois acredito que devemos pensar sim sobre esse cuidado ao ivestir grandes fortunas em equipamentos que poderão ser tornar obsoleto em um curto prazo de tempo, mas ao mesmo tempo acho que não podemos deixar de viver o momento de uma maneira de usufruir do melhor que possamos nos dar de presente.Deixar de comprar um novo carro , um novo computador ou um novo aparelho se podemos te los agora no presente , acho que corremos o risco de esquecer de viver o presente .

    Responder

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