As várias formas de se pensar em Investimentos na Empresa Gráfica

27/08/2009 at 12:13 PM Deixe um comentário

Autores: José Pires de Araújo Júnior / Flávio Botana

Introdução:

Analisar um investimento não é das tarefas mais fáceis que a empresa tem. Porém, nenhuma organização, seja ela publica ou privada tem todos os recursos necessários para implementar os seus projetos de uma vez, por essa razão é necessário elaborar um estudo de viabilidade para cada situação de investimento dentro da organização.
Para se ter um bom projeto de investimento antes se deve ter uma empresa bem administrada e que conheça o mercado em que atua e ou que pretende atuar e claro conhecer a si mesma.

Pensando em investimentos do ponto de vista Financeiro:

Antes de pensar em comprar uma nova máquina é imperativo que se pense no seu objetivo maior.
Planejar os caminhos futuros que pretendesse trilhar com a empresa é a melhor maneira de começar uma análise de investimento. É necessário primeiro olhar para dentro da empresa e entende – lá como ela é hoje, olhar para o mercado em que a empresas encontra-se inserida e projetar os passos para atingir um objetivo definido.
A decisão de investir ou não investir deve ser tomada depois de uma larga discussão sobre os problemas organizacionais e a elaboração do planejamento e o orçamento da empresa.
Uma forma mais caseira para analisar se a empresa precisa de investimentos é fazer uma analise dos orçamentos que foram perdidos em um determinado período e analisar junto com os vendedores quais as razões que levaram o cliente a fechar o pedido com outra empresa em detrimento da sua.
Esta forma de analise não é muito técnica, porém serve como parâmetro de necessidade do mercado.

Ferramentas da Analise de Investimentos:
As ferramentas de analise de investimentos mais usadas são; valor presente liquido (VPL), taxa interna de retorno (TIR) e Payback descontado (tempo de retorno do investimento).
Estas ferramentas devem ser utilizadas em conjunto e não isoladamente, pois isoladas podem levar a tomada erra de decisão, já que normalmente as empresas devem escolher onde e como investir, estás ferramentas mostraram qual projeto de investimentos será mais viável, já que existe sempre mais de um projeto e portanto quando se escolhe um os outros são imediatamente excluídos.
Para iniciar os cálculos da análise de investimentos é necessário identificar qual a taxa de atratividade da empresa, esta taxa é calculada a partir da Demonstração de Resultado de Exercício(DRE) de um dado período, (normalmente é de um ano), a taxa de atratividade é a relação do lucro liquido com a receita bruta da empresa (total de vendas do período)

Formula: Taxa de atratividade = Lucro Liquida x 100 / Receita Bruta
Exemplo:
Imagine que uma empresa tem uma receita bruta de R$ 2.400.000,00/ao ano e seu Lucro Liquido é de R$ 192.000,00, então teremos a seguinte situação;
Taxa de atratividade = 192.000,00 x 100 / 2.400.000,00
Taxa de atratividade = 0,08 ou 8 % a.a.
Está taxa deverá ser considerada nos cálculos das ferramentas de análise, já que ela mostra quanto o empresário ou investidor teve de lucro pelas operações realizada na empresa.

É importante lembrar que um investimento deve ser algo planejado de maneira estratégica para atingir objetivos claros de aumento do valor da empresa e não simplesmente para seguir uma tendência ou moda do mercado.
Segundo Porter (1985:10), a empresa pode ter dois diferenciais competitivos ou a empresa se difere por liderança em custo ou criando diferencial. Tomando por base esta teoria verificamos que a empresa deve se posicionar quanto ao caminho a ser tomado.
Quando se pensa em investimento em uma empresa, ou queremos inovar ou queremos reduzir custo ao longo do tempo.

A Estratégia da Empresa:

Como já vimos investir exige um uma visão sistêmica e além da visão sistêmica é necessário um planejamento da empresa antes de se pensar em investir, pois o planejamento deve ser visto como a bússola da empresa, mas não pode engessar a empresa, pois as coisas se alteram ao longo do tempo, porem o planejamento o orientará para seguir novos rumos.
O primeiro pensamento que precisamos ter é o cliente, para isso identifique qual é o mix de marketing da sua empresa.

Mix de Markeitng ou os “4Ps”

Produto (tipos de serviços ou produtos gráficos que você pode fornecer ao seu cliente).
Preço (qual o preço que você vai praticar no mercado, alto, médio ou baixo)
Promoção (como vou me comunicar com o mercado, eu tenho algum veiculo de comunicação com o mercado).
Ponto/Praça (A localização da minha gráfica facilita a minha logística de distribuição tanto para a compra quanto para a venda e a minha entrega é eficiente, chega no horário solicitado pelo cliente).
Depois de identificar o mercado é necessário definir qual a estratégia que você deve seguir para obter vantagem competitiva dentro do seu segmento de mercado.
Em mercados industriais existe uma tendência de utilizar-se a escola do posicionamento, que procura identificar os seguintes itens:
Suas Forças
Suas Franqueza
Ameaças
Oportunidades
Esta maneira de pensar a empresa é conhecida como “Matriz SWOT”, desta forma é possível identificar aonde deve ser o seu foco de atuação para ser mais competitivo no mercado e ai sim escolher ser líder em custo ou ser inovador.
As duas escolhas são passiveis de serem implantadas, depende da visão de cada empresa, mas o mais importante é ter em mente se o seu cliente está percebendo valor nos investimentos que foram feitos na empresa e se o cliente está satisfeito ou insatisfeito com a empresa, pois este é o maior índice de medição que a empresa tem.

Pensando em investimentos do ponto de vista Estratégico da Produção:

Ao se pensar na análise de investimentos sob o olhar da Produção, o que é necessário ser pensado é sempre o aspecto de priorização diante das inúmeras possibilidades de investimentos frente às limitações dos recursos financeiros disponíveis.

Priorização é a palavra-chave. Devemos estabelecer critérios para análise das necessidades apresentadas pelas diversas áreas da empresa e diante destes critérios estabelecer prioridades que estejam coerentes com a visão estratégica da empresa e com as metas estabelecidas para os próximos períodos.

Logo a determinação destes critérios de análise é fator crítico de sucesso para a boa escolha dos investimentos futuros. Vamos descrever a seguir uma forma de estabelecer estes critérios que está apoiada numa teoria bastante conhecida e reconhecida nos meios de produção, que é a Teoria das Restrições.

A Teoria das Restrições foi desenvolvida por Eliahu Goldratt e apresentada inicialmente no seu livro A Meta, onde de uma forma bastante didática nos mostra uma visão até então pouco tradicional de se enxergar o fluxo de produção numa empresa e também a forma de se avaliar os resultados de produtividade da fábrica e os resultados econômico-financeiros da empresa.

É da Teoria das Restrições o conceito de gargalos de produção, que em muitas empresas já é utilizado e vem orientando decisões nas áreas de programação, suprimentos e análise de resultados.

E como devem ser analisadas as propostas de investimentos dentro desta teoria? Para responder a esta pergunta devemos citar quais os 3 fatores de avaliação de resultado apresentados pela Teoria das Restrições:

– Lucro Líquido
– Retorno sobre Investimentos
– Fluxo de Caixa

E os medidores práticos para que se otimizem estes 3 itens e por conseqüência se alcance a Meta são:

– Aumentar as Vendas
– Reduzir o Inventário
– Diminuir a Despesa Operacional

E este é o foco com que devemos analisar e priorizar as nossas necessidades de investimento. Os investimentos que efetivamente estiverem contribuindo para melhorar um ou mais medidores, estarão contribuindo para melhorar os resultados e por conseguinte estarão nos levando à Meta que é em última instância Ganhar Dinheiro…

Vamos analisar cada um destes medidores e como de forma prática podemos verificar como a nossa proposta de investimento pode estar contribuindo para a sua melhoria.

AUMENTAR AS VENDAS

Aqui aparece a primeira “armadilha” da análise de investimentos com o foco na Produção. Reparem que o que está escrito acima não é “Aumentar a Capacidade”, nem “Aumentar a Disponibilidade”. Estamos falando realmente de aumentar as vendas, isto é produzir algo que não vinha sendo produzido; estamos falando de incremento real no volume de produção, nos produtos expedidos e no faturamento.

Num primeiro momento o homem de produção pode pensar: ora, o meu problema é disponibilizar capacidade, e o problema de preenche-la é da Área Comercial, certo? Errado. Quando o assunto é priorização de investimentos a análise não pode ser feita de forma fragmentada, pois a compra de um equipamento pode implicar na não compra de outro. Logo o estudo deve ser multidepartamental, pois neste caso a soma dos ótimos isolados não resulta num ótimo global.

O que resulta de positivo geralmente desta análise: equipamentos com inovações tecnológicas com grande possibilidade de aceitação no mercado; equipamentos, acessórios ou dispositivos que aumentem a capacidade das linhas dos produtos mais aceitos, mais vendidos ou mais diferenciados da empresa; equipamentos ou sistemas que agreguem valor ao produto principal; equipamentos ou sistemas que permitas agregar serviços ao produto principal, etc.

O conceito que norteia a decisão de investimento com o foco em Aumento de Vendas é o da tecnologia aplicada com retorno em aumento da satisfação do cliente que se reflete em aumento no faturamento da empresa.

REDUÇÃO DO INVENTÁRIO

No plano da Produção a redução de inventário se reflete em basicamente um aspecto: a redução de lead times. Num linguajar extremamente prático, a redução do lead time é necessária por transformar mais rapidamente o dinheiro dos custos (que sai) em dinheiro de faturamento (que entra). O resultado disso é uma redução na necessidade de capital de giro, e dependendo do nível de redução alcançado pode-se falar também em redução de áreas de estoques intermediários. Isto sem contar que a redução no tempo de fabricação do produto tem sido fator de diferenciação competitiva no mercado. Os clientes estão cada vez mais exigentes e querem seus produtos entregues em menos tempo.

A redução de lead time pode se dar de forma prática na fábrica através de junção de processos ou da redução dos tempos de acerto e ajuste (set up). Desta forma, investimentos que associem várias etapas do processo em 1 só equipamento são extremamente interessantes, assim como tecnologias que reduzam o número de etapas dos processos. Só é interessante ressaltar que se não existe mercado adicional para estes produtos ( vide o item anterior ), é extremamente recomendável que o investimento seja feito como substituição de processos, sendo que o equipamento anterior pode servir até como parte de pagamento de novo.

No que se refere à redução do setup, cabe aqui uma pequena avaliação do mercado gráfico mundial e particularmente do brasileiro. O mundo caminha para informações cada vez mais dirigidas ao receptor. Num mundo de informações abundantes ou até excessivas, a disputa pela atenção do consumidor/leitor é intensa. Logo busca-se oferecer a informação certa na hora certa e na quantidade certa. Isto se reflete industrialmente em tiragens cada vez menores e portanto mais e mais set ups. No Brasil que tradicionalmente já tem uma característica de tiragens baixas, este fenômeno reduz nossas tiragens a níveis muito baixos.

Logo, qualquer mudança na redução dos set ups se reflete de forma muito intensa na lead time total do produto. E portanto investimentos em equipamentos com set ups mais rápidos, dispositivos de troca rápida, equipamentos de pré ajuste, etc. tendem a ter uma importância interessante no resultado da fábrica. Merecem uma boa atenção.

DIMINUIR A DESPESA OPERACIONAL

Este é um item que aparentemente não deveria gerar dúvidas, pois é o que todo mundo está procurando: a redução de custos. Só que a coisa não é tão simples quanto parece.

Em muitos cálculos de “ganhos de custos” a única coisa que se consegue é ganhar horas-máquina. Adota-se o custo da hora-máquina da empresa; multiplica-se pela quantidade de horas economizada e pronto! Aqui temos a nossa economia.

Este cálculo tem um erro conceitual gravíssimo, pois esta economia só é real se realmente eu conseguir ocupar as horas economizadas. Caso contrário eu só aumentei a minha ociosidade. Ganhei fumaça.

O que deve ser realmente considerado é a economia real ocorrida. O quanto iremos gastar a menos para fazer o mesmo produto. Isto normalmente acaba refletindo em redução de consumo de matérias primas ou materiais auxiliares e redução dos custos de mão de obra. Não se pode em hipótese alguma considerar reduções “potenciais” de custo. É preciso trabalhar com dados palpáveis.

Recaem neste item equipamentos com tecnologia que facilitam a operação, requerendo menos pessoas ou pessoas menos habilitadas para a execução da tarefa; projetos que atuam diretamente na redução do consumo e diminuição de desperdício de matérias primas e materiais auxiliares e projetos de redução de consumo de energia.

Não se pode esquecer que todas estas análises envolvem suposições, previsões e “feeling”, o que em outras palavras querem dizer “incerteza”. Logo um fator determinante na qualidade do trabalho a ser realizado é QUEM o fará. Deve-se deixar este trabalho a cargo de alguém extremamente capacitado que tenha boa formação acadêmica, que conheça profundamente o mercado e a empresa e que tenha experiência e “quilometragem” suficiente para assumir riscos com consciência.

Desta forma a tendência é que os recursos financeiros sempre limitados sejam alocados nas necessidades mais importantes da empresa ao invés de serem aplicados nas mais urgentes ou na solução do problema atual, mesmo sendo ele irrelevante ou transitório.

Publicado na Revista Tecnologia Gráfica Edição 57

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