Por que investir em Educação e Desenvolvimento

24/08/2009 at 8:25 PM Deixe um comentário

Escrito por Flávio Botana
Qui, 01 de Maio de 2008
Gestão

Estamos no ano da Drupa! Muitos empresários gráficos e executivos vão à Alemanha para se atualizar tecnicamente, ver as novidades, fazer contatos e comprar máquinas. Mas, alguém aí se lembra da importância do treinamento?

Ano de Drupa é ano de se pensar em investimentos. É ano de se rever cuidadosamente a estratégia do negócio e verificar qual é o próximo passo em direção ao sucesso. E isso é bom!

Só que em função da Drupa, ou por culpa dela, o empresário pode se limitar a pensar em investimentos somente sob a forma de compra de máquinas. E esse pode ser um erro capital. A compra de máquinas deve ser considerada apenas como uma das opções de investimento, dentre muitas.
O aspecto que pretendemos abordar aqui é uma outra forma de investimento, que é mais diluída que a aplicação de recursos em máquinas e até por isso é menos impactante no caixa da empresa. É um investimento que tem um grau de risco na medida em que ele não dá a posse de nada, porém, em contrapartida, pode dar retornos muito além dos investimentos tradicionais em equipamentos. Estamos falando no capital dedicado à educação e desenvolvimento dos funcionários.

Para justificar a importância do tema vamos lembrar algumas das causas do fracasso de certos investimentos em equipamentos que temos visto com alguma freqüência no nosso ramo de atividade. Ainda é comum a compra de equipamentos, às vezes bastante caros, que se mostram inadequados às necessidades do mercado. O maquinário é ótimo, tem desempenho aceitável, mas o mercado simplesmente não se interessa pelo que ele faz ou até se interessa, porém não está disposto a pagar o preço desse interesse. E vemos nosso investidor com uma dívida a pagar, uma estrutura fabril maior e sem mercado para esse equipamento. Essa é a receita conhecida como “o princípio do fim”.

Se pararmos para analisar o problema, onde encontraremos a causa-raiz que disparou essa série de erros estratégicos que podem culminar em sérios danos para a empresa investidora?

O problema certamente estará no planejamento estratégico ou na análise mercadológica que deve preceder a compra de um equipamento. E existem algumas hipóteses de como tal questão pode se manifestar nas empresas que sofreram deste mal.

A primeira hipótese é simplesmente a inexistência do planejamento estratégico ou da análise mercadológica para a compra do equipamento. As aquisições feitas por feeling têm se mostrado cada vez mais ineficazes num mundo em que as transformações são cada vez mais intensas e constantes.

É preciso cumprir essas etapas e o papel do empresário, investidor ou empreendedor é patrocinar a execução desses projetos, delineando visões de futuro, acompanhando o desenvolvimento do trabalho e cobrando os resultados dos executantes.

Mas, para que esse caminho seja trilhado com sucesso, temos de preparar o empresário. Ter vontade de que isso aconteça é bom, mas é pouco. O empresário tem de ser cada vez mais um estrategista, deve entender de economia, política, finanças. Tem de entender as mudanças que a sociedade vem sofrendo e perceber como sua empresa se insere nesse contexto hoje e no futuro. Logo, o primeiro foco do investimento em educação e desenvolvimento é o próprio empresário, seus líderes, seus sucessores no caso de empresas familiares, que devem se preparar para administrar um negócio próspero num mundo moderno e globalizado.

A segunda hipótese é a análise feita sobre poucas informações, dados antigos ou errados. A busca pela informação correta é aspecto crítico para que se tomem boas decisões empresariais. Mais uma vez caímos no tema educação, pois o problema não é a falta de informação, mas o excesso.
A Internet e a livraria
Escolha qualquer assunto sobre o qual você precise de informações e sente-se à frente de um computador. Em alguns segundos, você pode, através de um bom programa de busca, acessar milhares de informações sobre o tema. E aí está o problema: você não precisa de milhares, você necessita de “uma” informação relevante, correta e confiável. Afinal de contas, na Internet e principalmente nesses sites de busca, não há um filtro. Estão misturadas as informações certas e erradas; as profundas e as superficiais; as informações de fontes confiáveis e bobagens sem nexo algum, enfim, as jóias estão no meio do lixo. E você é o filtro…

Numa livraria, o tamanho do ambiente é mais restrito, porém o problema não é muito diferente. Um mesmo assunto está em vários livros, jornais e revistas com diferentes níveis de análise, com focos diversos, novamente colocando o pesquisador em situação de precisar selecionar o que lhe interessa para entender o assunto e tomar as decisões necessárias.

Logo, para fazer a análise e depuração das informações disponíveis, você também precisa de pessoas educadas, capacitadas e treinadas. Com um bom grau de cultura e conhecimento consegue-se “filtrar” mais rapidamente esse mundo de informações que surgem à nossa frente e ter uma base de dados melhor para tomar as decisões estratégicas necessárias.

A terceira hipótese ocorre quando, apesar de se ter a vontade de fazer a análise da ação estratégica, mesmo de posse das informações necessárias para a execução do trabalho, falta a capacidade de análise de tudo isso para transformar esse amontoado de dados num raciocínio lógico, coerente e competente no que se refere à análise das perspectivas futuras e dos riscos envolvidos.

Em seu livro Administração de Produção e Operações, os autores Henrique e Carlos Correa citam que o planejamento estratégico de operações é fundamental, pois envolve a maioria dos investimentos em capital das organizações e a maioria das decisões em operações inclui recursos físicos que têm, por natureza, uma “inércia decisória”. Isto é, um tempo muitas vezes longo entre a tomada de decisão e o momento em que essa decisão toma efeito, além do que as decisões em operações, depois de tomadas, são normalmente difíceis e caras para serem revertidas.

Logo, a capacitação da pessoa que irá analisar os dados e sugerir ações é de fundamental importância, principalmente porque estaremos tratando de cenários futuros, de incertezas, de riscos. Uma pessoa bem formada tecnicamente e em gestão de negócios, com bons contatos e culta é mais indicada do que qualquer outra para a execução desse trabalho. Não se pode entregar trabalhos com tal peso para pessoas não devidamente capacitadas, sob o risco de perdermos oportunidades valiosas ou investirmos recursos em atividades não rentáveis.

Reparem que só se falou até agora no processo de decisão de investimento. Se a decisão envolver uma compra de equipamento, ocorrerão os processos de especificação, compra, instalação e operação do mesmo. Vamos detalhá-los um pouco.

Passo a passo
Na especificação de um equipamento, a necessidade de conhecimento é bastante evidente “nos dois lados do balcão”. O vendedor, além da óbvia necessidade de conhecer profundamente o seu equipamento, deve também entender do segmento de atuação do seu cliente. Vejam que estamos falando de conhecimentos relacionados à mecânica, eletrônica, automação, com certeza uma (ou mais) línguas, marketing de equipamentos, marketing do ramo de atuação do cliente, finanças, etc. Estamos falando de uma venda técnica, que demanda discussões profundas sobre temas específicos que não aceitam como protagonistas os conhecidos “tomadores de pedido”.

Pelo lado do comprador, além de todos esses conhecimentos, é fundamental uma grande capacidade de discernimento para separar quais as características técnicas que o vendedor quer vender e quais ele quer comprar. Isso requer uma análise das necessidades atuais e futuras da empresa, a visão da capacidade de investimento e de marketing para enxergar focos de inovação nas propostas apresentadas. Percebam, é necessidade de conhecimento vinda de todos os lados. Precisamos ter bons profissionais nos fornecedores de equipamentos, de matérias-primas, serviços e nos setores de suprimentos/compras para que a qualidade de uma boa decisão não se perca numa especificação inadequada do produto a ser comprado.

A etapa seguinte é a instalação do equipamento e aí pode-se cometer o engano de acreditar que basta acionar o fabricante ou a empresa por ele indicada que tudo estará resolvido. Isso não ocorre. A participação do cliente no processo de instalação de um equipamento é imensa. Muitas das responsabilidades referentes à qualidade do processo e à manutenção da garantia do equipamento estão nas mãos do cliente. Este precisa e deve gerenciar o processo de instalação, que vai desde a preparação do local e das utilidades requeridas pelo equipamento até a sua entrega para a produção.

Para administrar esse processo é preciso ter muito conhecimento. Evidentemente não se espera que o cliente entenda profundamente de mecânica, hidráulica, eletricidade, etc., a ponto de elaborar um projeto de instalação, mas ele deve ter noções suficientes para questionar, julgar e avaliar economicamente o que está sendo apresentado. Ele não precisa saber responder, mas precisa saber perguntar. Em última instância, ele é o responsável pelo sucesso da empreitada perante a empresa que investiu o capital. É mais uma vez evidente a necessidade de pessoas bem preparadas para exercer tal função.

E, finalmente, vamos à operação dos equipamentos adquiridos. Muitas, mas muitas mesmo são as vezes em que tudo vai bem até o momento da operação. Aí se verifica que os resultados reais que o equipamento oferece são bem menores do que se esperava, ou pior, do que se calculou para a avaliação do Retorno sobre o Investimento (ROI). Percebe-se certas vezes que o tempo de retorno do investimento será muito maior do que o previsto ou até mesmo que o investimento nunca será pago.

Só que pode ocorrer, com freqüência maior do que o desejado, de se investir no equipamento, na instalação, em matérias-primas e não se aplicar recursos nos operadores, isto é, naqueles que conseguem juntar todos esses ingredientes para fazer efetivamente o prato principal.

Inúmeras vezes o primeiro contato do operador com o novo equipamento é quando ele recebe a incumbência de começar a operar a máquina já instalada. Ele não conhece as inovações tecnológicas que o dispositivo traz, não está familiarizado com as novas necessidades operacionais que o equipamento demanda, não identifica o desempenho esperado e nunca viu a máquima funcionando a plena carga para acreditar que tudo isso é verdade. Um investimento prévio na equipe operacional, com treinamento teórico, técnico e operacional faz todo o sentido. Muitas vezes, uma viagem da equipe para conhecer e operar um equipamento semelhante em outra empresa traz tudo isso além de um fator motivacional que também é relevante para o sucesso do investimento.

É trabalhar o piloto da Formula 1; o chef do restaurante; o policial que combate o crime. De nada adiantará ter uma estrutura fantástica se quem está na ponta do processo não estiver preparado técnica e emocionalmente para fazer o melhor. É verdadeiramente nadar e morrer na praia.

Contudo, de quem é a responsabilidade por melhorar a cultura, a educação, a capacitação e as habilidades das pessoas que executam todos esses processos apresentados até agora? Da própria pessoa? Da família? Da escola? Da empresa? Do governo?

É evidente que a responsabilidade é de todos!

Todos são responsáveis
Em primeiro lugar, o próprio indivíduo deve tomar as rédeas do seu desenvolvimento. Não se pode ficar esperando as oportunidades baterem à nossa porta. As pessoas têm de procurar utilizar o seu patrimônio mais valioso, que é o seu tempo, aproveitando todas as oportunidades para aprender algo, para discutir assuntos de seu interesse, para ler, ensinar (que é um dos melhores jeitos de aprender!). Enfim, para buscar um futuro melhor, mais próspero e mais produtivo.

A família também tem um papel fundamental nessa busca de melhoria do conhecimento, principalmente quando nos referimos às crianças e aos adolescentes. Eles precisam de exemplos e é justamente na família que eles primeiramente voltam os seus olhos para buscá-los. É responsabilidade da família mostrar os caminhos da busca do conhecimento como fator básico de prosperidade e de cidadania. E mais do que tudo, devemos apresentar esses caminhos muito mais através do nosso exemplo do que de nossas palavras. Na fase onde eles ainda precisam de muita orientação, o encaminhamento correto faz toda a diferença e o papel da família é insubstituível.

A escola tem a tarefa de disponibilizar o conhecimento, de buscar os vazios que se apresentam na sociedade e procurar desenvolver formas de ocupá-los, oferecendo o conhecimento de forma correta, atraente e saudável, permitindo que se desenvolvam os talentos das pessoas e que elas consigam se inserir na sociedade de forma segura e positiva. É uma missão e tanto, e todos os educadores devem estar sempre muito conscientes desse papel transformador na sociedade para poder, em conjunto com as empresas e o governo, alavancar um futuro melhor para todos.

A empresa funciona como o grande cliente do processo e o seu maior patrocinador. A cada instante, mais empresas compreendem a necessidade de caminhar paralelamente no seu desenvolvimento tecnológico e no aprimoramento dos recursos humanos. Na medida em que as companhias selecionam e valorizam pessoas com melhor formação, discutem com as entidades de ensino sobre suas necessidades e as apóiam no seu desenvolvimento, também criando estruturas internas de treinamento para suas necessidades específicas, vão exercendo seu papel fundamental de usuário e aplicador do conhecimento disponível. E compete ao governo exercer sua função de criar meios para que a cultura, a educação e o desenvolvimento das pessoas possam proliferar num ambiente justo e democrático.

Certamente, se todos exercerem seus papéis teremos um cenário no qual ganham as pessoas, pois o conhecimento é um patrimônio próprio de que se pode usufruir sempre. Ganham as empresas, uma vez que, além do retorno do investimento nas pessoas propriamente dito, vêem a melhoria dos resultados dos outros investimentos em máquinas, instalações, etc., e ganha o ambiente como um todo porque, afinal de contas, pessoas melhores fazem um mundo melhor.

Flávio Botana é professor dos cursos de graduação e pós-graduação da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Texto publicado na Edição 61 da Revista Tecnologia Gráfica

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